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Política

João Amoedo, fundador do Novo, declara voto em Lula no segundo turno de 2022

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

Ex-candidato à Presidência pelo Partido Novo rompe com a legenda e anuncia apoio a Luiz Inácio Lula da Silva na disputa contra Jair Bolsonaro. A decisão surpreende eleitores e provoca reações dentro do partido liberal.

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O ex-deputado federal e um dos fundadores do Partido Novo, João Amoedo, declarou publicamente seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. A manifestação ocorreu por meio de suas redes sociais e em entrevistas, gerando intenso debate no espectro político brasileiro. Amoedo, que foi o candidato do Novo à Presidência em 2018 e obteve cerca de 2,5% dos votos válidos, justificou a escolha como uma necessidade de rejeitar a reeleição de Jair Bolsonaro, que classificou como uma ameaça à democracia.

**Contexto**

João Amoedo é conhecido por sua trajetória no liberalismo econômico e na defesa de reformas de Estado. Fundou o Partido Novo em 2011 com o objetivo de oferecer uma alternativa apartidária e focada em gestão pública. Durante a campanha de 2018, Amoedo defendeu pautas como privatizações, redução do tamanho do Estado e combate à corrupção. Após a eleição, manteve-se como uma figura influente dentro do partido, mas crítico de posições extremistas.

Em 2022, o Novo inicialmente lançou Luiz Felipe d'Avila como candidato à Presidência. No entanto, após a votação do primeiro turno, Amoedo surpreendeu ao declarar apoio a Lula no segundo turno. Na ocasião, afirmou que, embora discordasse de grande parte das propostas do PT, via em Lula a capacidade de reunir um governo de coalizão e de preservar as instituições democráticas. A declaração gerou imediata reação de membros do Novo, como o economista Paulo Guedes e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que mantiveram neutralidade ou declararam voto em Bolsonaro.

A decisão de Amoedo não foi isolada. Outros políticos de centro e centro-direita também declararam apoio a Lula naquele momento, como a ex-senadora Marina Silva e setores do PSDB. O contexto era de polarização extrema entre Bolsonaro e Lula, com o ex-presidente Bolsonaro sendo acusado de ataques ao sistema eleitoral e de conduta antidemocrática. Amoedo justificou seu voto como um ato de responsabilidade cívica contra o que chamou de "risco autoritário".

**Análise**

A declaração de voto de João Amoedo a Lula representou um dos momentos mais emblemáticos da fragmentação da direita brasileira nas eleições de 2022. O Partido Novo, que sempre se posicionou como uma alternativa liberal e anticorrupção, viu-se dividido entre a ala que apoiava Bolsonaro por pragmatismo e a ala que condenava suas posições. Amoedo, como cofundador, carregava um peso simbólico significativo. Seu gesto indicou que, para uma parcela do liberalismo clássico, o combate à polarização e à desinformação era mais urgente do que a afinidade ideológica.

Do ponto de vista eleitoral, o apoio de Amoedo a Lula teve impacto limitado em números, mas forte potencial de convencimento entre eleitores de centro que ainda hesitavam. Pesquisas de boca de urna indicaram que o voto útil em Lula entre eleitores que haviam votado em Ciro Gomes ou Simone Tebet foi decisivo para a vitória apertada de Lula por 50,9% contra 49,1% de Bolsonaro. A participação de figuras como Amoedo ajudou a desfazer a imagem de que Lula era rejeitado por toda a centro-direita.

Após as eleições, Amoedo se afastou da vida partidária e passou a atuar em projetos de formação política e análise de políticas públicas. O Novo, por sua vez, reelegeu Romeu Zema em Minas Gerais e manteve sua bancada na Câmara, mas perdeu parte de sua identidade original. A declaração de 2022 permanece como um marco na história recente do partido e da política brasileira, sendo mencionada em debates sobre alianças e coerência ideológica.

**Fontes**

A informação baseia-se em declarações públicas de João Amoedo em suas redes sociais e em entrevistas concedidas ao jornal Folha de S.Paulo, ao portal G1 e ao programa Roda Viva (TV Cultura) durante o período eleitoral de 2022. Dados sobre votação foram extraídos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os posicionamentos de membros do Novo foram reportados pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela revista Veja.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.