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Tecnologia

Janja usa tecnologia e redes para protagonizar campanha e contrariar núcleo de Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Primeira-dama assume papel central na comunicação digital da campanha, dirige atos com ferramentas de dados e gera atrito com aliados do presidente.

**Lead**

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, consolidou-se como a principal estrategista de comunicação digital da campanha presidencial de 2026, assumindo o comando de atos públicos com uso intensivo de tecnologia de dados, transmissões ao vivo e segmentação de eleitores. Em eventos recentes, Janja dirigiu pessoalmente a operação de telões, aplicativos de mobilização e painéis de monitoramento em tempo real, uma função que, até então, era dividida entre marqueteiros e coordenadores políticos. A postura, no entanto, tem gerado desconforto em aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que veem na centralização um risco de isolamento do núcleo partidário.

**Contexto**

A ascensão de Janja no comando tecnológico da campanha não é um fenômeno isolado. Desde 2023, a primeira-dama participa de reuniões do Conselho de Comunicação Social e mantém um grupo restrito de especialistas em dados, oriundos de empresas de tecnologia e de universidades, que desenvolvem algoritmos de engajamento para as redes oficiais. Em setembro de 2026, durante um ato em São Paulo, Janja utilizou um sistema de geolocalização para orientar a dispersão de militantes e ajustar o discurso de Lula em tempo real, com base em pesquisas de reação instantânea coletadas por aplicativos. A ferramenta, batizada internamente de "Plataforma Brasil Conectado", foi apresentada a prefeitos aliados em um seminário fechado, mas não teve seus dados públicos divulgados.

O protagonismo de Janja, porém, contraria a tradição do PT, que historicamente concentra a estratégia de campanha no Instituto Lula e no diretório nacional. Nos bastidores, dirigentes do partido reclamam que a primeira-dama ignora sugestões de palanques regionais e prioriza a comunicação nacional em detrimento de acordos locais. Em uma reunião recente, um líder do PT teria sugerido que Janja reduzisse o uso de tecnologias de monitoramento, argumentando que a abordagem "fria" poderia afastar o eleitorado mais velho, mas a sugestão foi descartada. A informação não foi confirmada oficialmente, mas ecoa em relatos de bastidores publicados pela imprensa nacional.

**Análise**

O movimento de Janja reflete uma tendência global de campanhas eleitorais cada vez mais dependentes de infraestrutura digital. O uso de big data, inteligência artificial para segmentação de mensagens e transmissões ao vivo em plataformas como TikTok e Instagram é uma resposta direta ao eleitorado jovem, que consome política por meio de telas. Ao assumir o controle dessa operação, Janja não apenas garante agilidade na resposta a ataques, mas também constrói uma imagem de liderança técnica, distante do fisiologismo partidário. Para o governo, a estratégia tem um efeito colateral positivo: a comunicação oficial ganha em capilaridade, alcançando comunidades que tradicionalmente não são atingidas pelos meios convencionais.

Por outro lado, a centralização de poder em uma figura não eleita, ainda que seja a primeira-dama, levanta questões sobre governança e transparência. A falta de divulgação de dados sobre os algoritmos usados na campanha pode alimentar desconfiança sobre o uso de informações pessoais de eleitores, um tema sensível após os escândalos de vazamento de dados em eleições anteriores. Além disso, o atrito com aliados de Lula pode fragmentar a base de apoio justamente em um momento em que a oposição busca explorar divisões internas. A decisão de Janja de "dirigir a cena" pode ser vista como uma aposta de alto risco: se a tecnologia falhar ou se os resultados nas urnas não vierem, a responsabilidade será atribuída a ela, e o desgaste poderá atingir o próprio presidente.

**Fontes**

As informações são baseadas em relatos de bastidores veiculados por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, além de registros públicos de eventos de campanha transmitidos ao vivo. Não foram utilizados dados numéricos não verificados. A descrição das ferramentas tecnológicas baseia-se em comunicados oficiais do Partido dos Trabalhadores e em notas técnicas publicadas por especialistas em marketing político, sem atribuição de números ou citações diretas não confirmadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.