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O Tesouro Direto, programa de venda de títulos públicos federais a pessoas físicas, registrou investimentos líquidos de R$ 8,77 bilhões em setembro de 2026, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira. O valor representa o maior volume mensal da série histórica, superando o recorde anterior de julho do mesmo ano. A aplicação total, incluindo resgates, alcançou R$ 24,3 bilhões no mês, com 1,2 milhão de operações realizadas.
**Contexto**
O resultado positivo veio em um cenário de manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, patamar elevado que torna os títulos públicos mais atrativos para investidores conservadores. O Tesouro Direto oferece opções como Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+, que acompanham a inflação. Em setembro, o título mais procurado foi o Tesouro Selic, com 42% das aplicações, seguido pelo Tesouro IPCA+ com 35%.
O número de investidores cadastrados no programa ultrapassou 20 milhões, com crescimento de 8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Desde o início de 2026, a captação líquida totaliza R$ 52,3 bilhões, contra R$ 38,1 bilhões no mesmo período de 2025. O aumento reflete a migração de recursos da poupança e de fundos de renda fixa tradicionais para os títulos públicos, devido à maior rentabilidade e liquidez.
A concentração das aplicações em títulos indexados à Selic e à inflação demonstra a preferência por proteção contra a volatilidade econômica. O Tesouro Nacional atribui o desempenho a uma combinação de fatores: aumento da educação financeira, simplificação do processo de investimento por meio de plataformas digitais e a campanha de divulgação do programa.
**Análise**
O recorde de investimentos no Tesouro Direto sinaliza uma mudança comportamental do investidor brasileiro, que tem buscado diversificação e segurança em meio às incertezas fiscais e ao aperto monetário. A renda fixa, especialmente os títulos públicos, tornou-se o principal destino dos recursos de pessoas físicas, que antes priorizavam a caderneta de poupança ou fundos multimercado. Esse movimento impacta diretamente o mercado de capitais, reduzindo a pressão sobre a dívida pública e alongando o perfil dos títulos em circulação.
Para a economia como um todo, o maior ingresso de recursos no Tesouro Direto ajuda a financiar o déficit público sem necessidade de emissão adicional de moeda, contribuindo para o controle inflacionário. Por outro lado, a forte demanda por títulos pode pressionar o governo a manter juros altos por mais tempo, o que afeta o crédito e o consumo. Analistas do mercado financeiro projetam que, com a Selic estável, o fluxo para o Tesouro Direto deve continuar elevado até o final do ano, com potencial de novos recordes em outubro.
**Fontes**
Os dados apresentados foram extraídos do relatório mensal do Tesouro Nacional, divulgado em 29 de outubro de 2026, referente às operações do Tesouro Direto em setembro. Informações complementares sobre a Selic são do Banco Central do Brasil.
Por Renan Filho · 2026-10-29