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Politica

Instituto projeta impacto fiscal de R$ 40 bilhões com promessas de Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-29

Estudo de instituto independente aponta que compromissos de campanha do presidente podem gerar aumento significativo nos gastos públicos, elevando preocupações sobre sustentabilidade fiscal.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode gerar um impacto fiscal de R$ 40 bilhões com as promessas feitas durante a campanha eleitoral e nos primeiros meses de governo, segundo projeção de um instituto independente de pesquisas econômicas. O estudo, divulgado nesta semana, analisa o custo agregado de medidas como reajustes salariais, ampliação de programas sociais e investimentos em infraestrutura, que somados pressionam as contas públicas já em desequilíbrio. A estimativa considera um horizonte de dois anos e leva em conta a implementação integral dos compromissos assumidos pelo governo.

**Contexto**

Desde sua posse, Lula retomou promessas como aumento real do salário mínimo, fortalecimento do Bolsa Família, correção da tabela do Imposto de Renda, e investimentos em saúde e educação. O instituto calculou que, se todas as promessas forem implementadas integralmente, o impacto fiscal acumulado chegará a R$ 40 bilhões nos próximos dois anos. O governo, por sua vez, tem buscado equilibrar o orçamento com o novo arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso, mas especialistas alertam que a rigidez das despesas obrigatórias limita o espaço para novos gastos.

Entre as medidas de maior custo estão a recomposição do salário mínimo, que impacta diretamente a Previdência Social e o seguro-desemprego, e a promessa de isentar de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, demanda que o governo estuda enviar ao Congresso. O estudo também inclui o impacto das emendas parlamentares impositivas e de possíveis reajustes no funcionalismo público, que ainda estão em negociação. A projeção de R$ 40 bilhões é considerada conservadora por alguns analistas, já que não incorpora eventuais novos programas ou gastos extraordinários com desastres naturais.

O governo Lula herdou uma situação fiscal complicada do governo anterior. Em 2023, o déficit primário ficou em torno de R$ 100 bilhões, e a dívida bruta do governo geral superou 75% do PIB. O arcabouço fiscal aprovado prevê meta de déficit zero em 2024, mas as contas já mostram dificuldade para cumprimento. Até setembro de 2023, o governo já havia contingenciado mais de R$ 12 bilhões para tentar se alinhar ao limite de despesas. A projeção do instituto acende um alerta: se confirmada, a pressão de R$ 40 bilhões pode exigir novos cortes ou aumento de receitas.

**Análise**

O cenário acende um alerta no mercado financeiro e entre analistas econômicos, que veem risco de descontrole fiscal se o governo não priorizar a sustentabilidade da dívida pública. Apesar da recuperação da economia e do crescimento do PIB, a relação dívida/PIB permanece alta. A projeção do instituto (R$ 40 bilhões) é significativa em comparação com o espaço fiscal disponível no Orçamento de 2024, que já prevê contingenciamentos para cumprir a meta fiscal. A pressão por gastos sociais, no entanto, é forte, e o presidente enfrenta o desafio de conciliar demandas da base aliada com a responsabilidade fiscal.

A questão central é se o governo conseguirá compensar esse aumento de despesas com medidas de arrecadação, como a reforma tributária e o aumento da fiscalização. A aprovação da reforma tributária, em tramitação no Congresso, pode trazer ganhos de eficiência no longo prazo, mas não resolverá o problema imediato. Além disso, o ministro da Fazenda tem sinalizado que novos gastos precisarão ter fonte de receita ou cortes equivalentes. Diante disso, a projeção do instituto serve como um alerta para a necessidade de priorização dentro do Orçamento. Se o governo insistir em cumprir todas as promessas sem ajustes, o quadro fiscal pode se deteriorar rapidamente, levando a um aumento dos juros e à desconfiança dos investidores.

O impacto sobre a economia real também é relevante: o aumento dos gastos públicos, sem contrapartida de produtividade, pode elevar a inflação e forçar o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares elevados, encarecendo o crédito e desestimulando investimentos. Por outro lado, cortar promessas pode gerar desgaste político e social, especialmente entre as bases que elegeram Lula. O instituto não recomenda qual caminho seguir, mas seus números demonstram que a margem de manobra fiscal é estreita e que o governo terá que fazer escolhas difíceis nos próximos meses.

**Fontes**

Estudo de instituto independente (nome não revelado por questões de verificação). Dados do Tesouro Nacional, Ministério da Fazenda, e relatórios de instituições como o Banco Central e o IBGE foram utilizados como referência para contextualização. Informações adicionais de relatórios de mercado e noticiários econômicos nacionais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.