**Lead**
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) voltou a cobrar, em evento realizado na última segunda-feira, um ajuste fiscal consistente por parte do governo federal, alertando que a falta de previsibilidade nas contas públicas gera incertezas que afetam diretamente a competitividade do setor industrial mineiro e os planos de investimento no país. A manifestação ocorre em um momento em que o mercado financeiro e agentes econômicos monitoram de perto a trajetória da dívida pública e a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais estabelecidas.
**Contexto**
A indústria mineira, uma das mais relevantes do país, com forte presença nos setores de mineração, siderurgia, automotivo e alimentos, tem sentido os efeitos de um ambiente macroeconômico marcado por juros elevados, câmbio volátil e incertezas quanto à política fiscal. Em encontro promovido pela FIEMG com lideranças empresariais e representantes do setor produtivo, dirigentes da entidade destacaram que a ausência de um plano consistente de contenção de despesas e de reformas estruturais compromete a confiança dos investidores e eleva o custo do capital para novos projetos.
A entidade já havia manifestado preocupação semelhante em outras ocasiões, especialmente após a divulgação de relatórios de instituições financeiras que apontam para um crescimento acelerado da dívida pública nos próximos anos. A FIEMG também tem acompanhado as discussões sobre a reforma tributária, defendendo uma transição que não sobrecarregue o setor produtivo e que garanta segurança jurídica para as empresas.
Além disso, o cenário internacional adiciona pressão: a desaceleração da economia global, os conflitos geopolíticos e as mudanças nas cadeias de suprimento têm impacto direto nas exportações mineiras e na atração de investimentos estrangeiros. Para os industriais, o Brasil precisa urgentemente de um sinal claro de que o governo está disposto a equilibrar as contas públicas sem recorrer a aumentos pontuais de impostos, mas sim a uma revisão profunda dos gastos e à melhoria da eficiência do setor público.
**Análise**
A cobrança da FIEMG não é isolada. Ela reflete um sentimento crescente entre os empresários de que a política fiscal frouxa é o principal obstáculo para a retomada sustentada do crescimento econômico. Quando o governo gasta mais do que arrecada, o Banco Central é forçado a manter a taxa básica de juros em patamares elevados para conter a inflação, o que encarece o crédito e desestimula novos investimentos produtivos. Para a indústria, que opera com margens apertadas e depende de financiamento de longo prazo, esse cenário é particularmente danoso.
A falta de previsibilidade também afeta as decisões de localização de novas plantas e expansão de capacidade. Empresários mineiros relatam que projetos que poderiam gerar milhares de empregos estão sendo adiados ou realocados para outros países da América Latina, que oferecem condições mais estáveis. A perda de competitividade do Brasil no cenário global é um risco real, e a indústria mineira, com sua vocação exportadora, é uma das mais expostas a esse movimento.
Outro ponto de atenção é o impacto social do descontrole fiscal. Sem ajuste, o espaço para políticas públicas de fomento à inovação, infraestrutura e educação fica cada vez mais restrito. A FIEMG tem defendido que o ajuste não deve ser visto apenas como uma medida de austeridade, mas como um instrumento para liberar recursos para áreas estratégicas que aumentem a produtividade do país. Nesse sentido, a entidade propõe um pacto entre os poderes Executivo e Legislativo para aprovar reformas que modernizem o Estado e reduzam privilégios, sem penalizar os mais vulneráveis.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), de discursos de dirigentes da entidade durante evento público realizado em Belo Horizonte, e de relatórios econômicos divulgados por instituições como o Banco Central do Brasil e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Dados sobre a dívida pública e projeções fiscais foram extraídos de documentos públicos do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda. Nenhuma informação foi obtida por meio de fontes não identificadas ou especulação não confirmada.
Por Renan Filho · 2026-10-27