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O indicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para ocupar um posto estratégico na área da Saúde afirmou, em entrevista a veículos de imprensa nesta quinta-feira (9), que a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 deve ser tratada como um “capítulo superado” para o Brasil. A declaração ocorre em meio a um novo ciclo de debates sobre as políticas sanitárias adotadas entre 2020 e 2022 e reacende a polarização em torno do legado do ex-mandatário.
Segundo o indicado, que ainda aguarda sabatina e aprovação em comissão do Senado, o foco do governo atual deve estar na reconstrução do sistema de saúde e no aprendizado com os erros do passado, sem a necessidade de revisitar “discussões que já foram encerradas pela história”. A fala foi interpretada por analistas como uma tentativa de blindar a imagem de Bolsonaro, alvo de críticas constantes por sua postura cética em relação às vacinas e às medidas de isolamento social.
**Contexto**
A pandemia de Covid-19 deixou marcas profundas no Brasil. O país registrou uma das maiores taxas de mortalidade do mundo, com mais de 600 mil óbitos confirmados — número que especialistas apontam como reflexo direto de decisões políticas controversas, como a defesa do tratamento precoce sem eficácia comprovada e a resistência à compra de vacinas. A CPI da Covid, instalada no Senado em 2021, investigou a conduta do governo federal e recomendou o indiciamento de Bolsonaro e de vários auxiliares por crimes como prevaricação e charlatanismo, embora as acusações não tenham avançado judicialmente.
Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente e atual senador, tem sido um dos principais articuladores da ala bolsonarista no Congresso. A indicação de um aliado para a pasta da Saúde — seja em nível federal, estadual ou em uma autarquia — é vista como parte de um movimento para reabilitar a narrativa de que a gestão da pandemia foi bem-sucedida, apesar das evidências contrárias. O nome escolhido, embora ainda não oficialmente confirmado, circula nos bastidores como alguém alinhado às teses do ex-presidente sobre “liberdade individual” e “tratamento precoce”.
**Análise**
A declaração do indicado de Flávio Bolsonaro não é um fato isolado. Ela se insere em um contexto mais amplo de disputa pela memória histórica da pandemia. Enquanto setores da sociedade civil e da comunidade científica insistem na necessidade de responsabilização e de transparência sobre as decisões tomadas, grupos políticos ligados ao bolsonarismo tentam encerrar o assunto, classificando-o como “superado”. Essa estratégia busca evitar que o tema seja usado como arma eleitoral nas próximas disputas, especialmente com a aproximação das eleições de 2026.
Para analistas políticos, a fala também sinaliza uma tentativa de Flávio Bolsonaro de pavimentar seu próprio caminho para 2026, projetando-se como herdeiro político do pai, mas com um discurso menos agressivo. Ao tratar a pandemia como algo do passado, o indicado tenta desarmar críticas e focar em propostas futuras para a saúde pública — como a ampliação de leitos de UTI e a digitalização de prontuários. No entanto, a reação de entidades médicas e de associações de vítimas da Covid-19 foi imediata: em notas, elas lembraram que milhares de famílias ainda buscam respostas e que “superar” não significa “esquecer”.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações do indicado em entrevista concedida a veículos de imprensa nacional, de notas oficiais divulgadas pela assessoria do senador Flávio Bolsonaro e de reportagens anteriores sobre a CPI da Covid e o posicionamento de entidades médicas, como a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). Dados sobre a pandemia são provenientes de boletins do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Por Renan Filho · 2026-10-09