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Em uma sabatina realizada nesta quarta-feira (9) no Senado Federal, o médico infectologista indicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para assumir o comando do Ministério da Saúde afirmou que a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 deve ser tratada como um 'capítulo superado' para o Brasil. A fala causou reações imediatas entre parlamentares da base governista e da oposição, reacendendo o debate sobre os erros e acertos da gestão federal na crise sanitária que matou mais de 700 mil brasileiros.
**Contexto**
O indicado, ainda sem cargo oficializado, foi convidado pelo senador Flávio Bolsonaro para integrar a equipe técnica da pasta. Durante a sabatina, ele foi questionado por senadores sobre a condução do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ao longo de 2020 e 2021 minimizou a gravidade da doença, atacou medidas de isolamento social e promoveu tratamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina. A gestão foi marcada por trocas constantes no comando do ministério — quatro ministros em menos de dois anos — e por uma forte politização da resposta à pandemia.
Ao responder, o médico disse que 'o Brasil já vive um novo momento' e que 'olhar para trás de forma obsessiva não contribui para a reconstrução do sistema de saúde'. Ele classificou o período como um 'capítulo superado' e defendeu que o foco deve estar no planejamento para emergências futuras, como a preparação para novas variantes do coronavírus e o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações.
A declaração foi alvo de críticas de senadores da oposição, como Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que lembraram que a CPI da Covid, encerrada em 2021, apontou responsabilidades diretas de Bolsonaro, incluindo a sugestão de indiciamento por crimes contra a humanidade. 'Superado para quem? Para as 700 mil famílias que perderam entes queridos? Isso não é um capítulo, é uma ferida aberta', afirmou o senador Humberto Costa.
**Análise**
A declaração do indicado revela a estratégia do governo de tentar encerrar o debate político sobre a pandemia e evitar que o tema paute as próximas eleições. Ao classificar o período como 'superado', o indicado sinaliza que a gestão atual não pretende revisar ou reconhecer publicamente erros cometidos pela administração anterior, especialmente porque o próprio senador Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente e foi um dos principais defensores públicos do uso da cloroquina.
No entanto, a fala pode ter efeito contrário. Especialistas em comunicação política avaliam que a tentativa de 'passar a página' sem um pedido de desculpas ou um plano claro de reparação tende a mobilizar eleitores que ainda se sentem afetados pela crise. Além disso, a comunidade científica internacional continua a estudar as consequências de longo prazo da pandemia — como a chamada 'Covid longa' e o impacto na saúde mental da população —, o que torna o assunto ainda relevante para a formulação de políticas públicas.
No campo esportivo, vale lembrar que a pandemia também teve impacto direto no setor. Grandes competições foram adiadas ou realizadas sem público, como a edição da Copa América de 2021, que foi transferida para o Brasil em meio a críticas internacionais e a uma alta taxa de contágio no país. A fala do indicado, portanto, ecoa também no meio esportivo, onde atletas e federações ainda cobram transparência sobre os critérios sanitários adotados na época.
**Fontes**
A informação foi baseada na transmissão ao vivo da sabatina realizada no Senado Federal nesta quarta-feira, 9 de outubro de 2026, disponível no canal oficial da Casa. Também foram consultados os anais da CPI da Covid (2021) e reportagens veiculadas pelo portal G1 e pelo jornal O Globo sobre a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia.
Por Renan Filho · 2026-10-09