A seis meses do início oficial da campanha eleitoral de 2026, o eleitor brasileiro se prepara para ir às urnas no próximo domingo, 4 de outubro, com um sentimento que mistura cansaço e pragmatismo. Dados da mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 26 de setembro, apontam que 12% dos entrevistados ainda se declaram indecisos. No mundo dos esportes, essa mesma sensação de “votar sem amor” ecoa nas arquibancadas e nas federações: falta um projeto de longo prazo, sobra improviso e o Brasil parece escolher entre o “menos pior” em vez de abraçar uma visão vitoriosa.
O fenômeno não é isolado. No futebol, principal vitrine esportiva nacional, a ausência de um planejamento técnico e de gestão profissional levou a seleção brasileira a uma campanha irregular nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá. Sob o comando do técnico Dorival Júnior, o Brasil ocupa a quarta posição, com 18 pontos em 10 jogos, atrás de Argentina, Uruguai e Equador. A torcida, outrora apaixonada, agora vota com desconfiança: “Não tem ninguém melhor? Vamos de Dorival mesmo”, resume o analista esportivo Juca Kfouri, em entrevista ao UOL Esporte no último dia 20 de setembro. A declaração reflete o espírito do momento: escolhemos por falta de opção, não por convicção.
**Contexto: A Crise de Identidade no Esporte Brasileiro**
O esporte nacional vive uma encruzilhada. De um lado, o legado de investimentos públicos em infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que custaram cerca de R$ 30 bilhões, mas deixaram estádios subutilizados, como o Arena das Dunas, em Natal, e o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. De outro, a falta de uma política esportiva de Estado que vá além de eventos pontuais. Segundo dados do Ministério do Esporte, o orçamento federal para a pasta em 2026 é de R$ 1,2 bilhão, valor 15% inferior ao de 2014, corrigido pela inflação. A iniciativa privada, que deveria ser motor do setor, ainda enfrenta barreiras burocráticas e tributárias.
No vôlei, modalidade que deu ao Brasil dois ouros olímpicos consecutivos (2008 e 2012), a renovação de talentos patina. A seleção masculina, atualmente em sétimo lugar no ranking mundial, perdeu para a Argentina na última Liga das Nações, em julho, e não garantiu vaga direta para Paris 2024 (que ocorreu em 2024). A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), presidida por Radamés Lattari, enfrenta críticas por falta de transparência financeira e ausência de um plano de desenvolvimento de base. “O vôlei brasileiro vive de resultados passados. A gestão é amadora, e o atleta se sente abandonado”, afirmou o ex-jogador Giba, em entrevista ao SporTV em 15 de setembro.
**Análise FORTIS: O Eleitor Esportivo e o Voto Pragmático**
Na linha editorial liberal-conservadora do FORTIS NEWS, a análise é clara: o esporte brasileiro padece do mesmo mal que a política: excesso de intervenção estatal e falta de liberdade para a iniciativa privada florescer. O voto “sem amor” do indeciso não é preguiça, é racionalidade. Quando o Estado controla a maior parte dos recursos e das decisões — como no caso dos patrocínios estatais a clubes e federações, via Lei de Incentivo ao Esporte —, o mercado perde a capacidade de inovar e de oferecer alternativas competitivas.
Dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mostram que, em 2025, 70% dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro dependem de receitas de direitos de transmissão e de patrocínios estatais, como da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Essa dependência cria um ciclo vicioso: sem concorrência real, os dirigentes não são pressionados a profissionalizar a gestão. O resultado? Times endividados, estádios vazios e uma seleção que luta para se classificar para a Copa.
A solução, na visão do FORTIS, passa por um Estado mínimo no esporte: redução de impostos para investimentos privados, desburocratização de parcerias público-privadas (PPPs) e fim de privilégios fiscais para entidades que não prestam contas. Um exemplo real é o modelo do basquete americano (NBA), onde a liga é gerida por empresários, com regras claras de fair play financeiro e sem subsídios governamentais. No Brasil, a tentativa de criar uma “Liga de Clubes” independente, a Liga Forte União (LFU), esbarra na resistência da CBF, que insiste em manter o controle centralizado.
**1. Por que o eleitor indeciso no esporte vota “sem amor”?** Pesquisa Datafolha de 24 de setembro mostra que 58% dos brasileiros consideram o esporte nacional “mal administrado”. A falta de projetos de longo prazo e a ausência de ídolos que inspirem paixão — como Pelé, Guga ou Ayrton Senna — fazem com que o torcedor opte por candidatos ou times por exclusão, não por admiração.
**2. Qual o impacto da gestão pública no esporte?** Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que, entre 2019 e 2025, R$ 4,5 bilhões em recursos públicos destinados ao esporte foram alvo de irregularidades, como superfaturamento em obras e contratos sem licitação. A falta de transparência afasta investidores privados.
**3. O que o FORTIS propõe para o esporte?** Liberalização do mercado esportivo: fim do monopólio das federações, incentivos fiscais para patrocínios privados, criação de um marco legal para ligas independentes (como a LFU) e redução da carga tributária sobre clubes e atletas. Exemplo: o modelo inglês, onde a Premier League gera R$ 30 bilhões anuais sem um centavo de dinheiro público.
**4. Como o voto “sem amor” se relaciona com a política?** Assim como na eleição presidencial, onde indecisos rejeitam os candidatos por falta de propostas críveis, no esporte o torcedor boicota jogos e não se identifica com dirigentes. Em 2025, a média de público no Brasileirão foi de 12 mil torcedores por jogo, a menor desde 2010, segundo o site Globo Esporte.
**5. Há esperança de mudança?** Sim, mas depende de reformas estruturais. O projeto de lei 2.925/2024, em tramitação no Congresso, propõe a criação de um “Estatuto do Esporte Profissional” com regras de governança corporativa e transparência. Se aprovado, pode abrir caminho para um mercado mais competitivo.
**Conclusão: O Voto Racional é o Único Caminho**
O indeciso que vai às urnas em 2026 não está errado. Ele apenas exerce o direito de escolher o “menos pior” em um cenário de escassez de opções de qualidade. No esporte, a lógica é a mesma: enquanto não houver um choque de gestão, com menos Estado e mais mercado, o Brasil continuará votando sem amor, mas com razão. O FORTIS NEWS acredita que a verdade está nos dados: a paixão só volta quando a competição é justa, a gestão é profissional e o torcedor se sente dono do espetáculo, não refém de um sistema falido.
Por Renan Filho · 2026-09-26