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Um incêndio de grandes proporções destruiu parcialmente o Marché des Enfants Rouges, o mercado coberto mais antigo de Paris, na manhã desta segunda-feira (12). O fogo teve início no setor de alimentação do mercado, localizado no bairro do Marais, no 3º arrondissement, e se alastrou rapidamente pelas estruturas de madeira e metal que compõem o edifício histórico. Bombeiros de Paris foram acionados por volta das 7h30 (horário local) e trabalharam por mais de cinco horas até controlar as chamas. Não há registros de feridos.
**Contexto**
O Marché des Enfants Rouges foi inaugurado em 1615, durante o reinado de Luís XIII, e é considerado o mercado coberto mais antigo da capital francesa. Tombado como monumento histórico desde 1982, o espaço abriga dezenas de barracas de alimentos, flores e produtos artesanais, além de pequenos restaurantes que servem pratos típicos da culinária francesa e de outras partes do mundo. O nome curioso, que significa "Mercado das Crianças Vermelhas", faz referência a um antigo orfanato vizinho, cujas crianças usavam uniformes vermelhos.
Nos últimos anos, o mercado se tornou um ponto turístico popular, aparecendo em guias internacionais e atraindo tanto moradores do Marais quanto visitantes estrangeiros em busca da atmosfera tradicional de um mercado parisiense — um dos únicos remanescentes do período em que Paris tinha dezenas de mercados públicos cobertos. A estrutura combinava galpões de ferro e madeira do século XVII com adaptações posteriores, incluindo uma cobertura de vidro instalada no século XIX. Essa mistura de materiais, embora charmosa, contribuiu para a rápida propagação do fogo, segundo especialistas consultados pela imprensa francesa.
As autoridades locais ainda investigam as causas do incêndio. As primeiras informações indicam que as chamas podem ter começado em um dos restaurantes do mercado, possivelmente por falha elétrica, mas a hipótese não foi confirmada oficialmente. A prefeitura de Paris anunciou a abertura de uma perícia técnica e afirmou que vai avaliar os danos estruturais antes de definir o futuro do edifício. O ministério da Cultura da França também manifestou preocupação, uma vez que o mercado integra o patrimônio histórico protegido do país.
**Análise**
O incêndio no Marché des Enfants Rouges representa uma perda significativa para o patrimônio arquitetônico e cultural de Paris. Mais do que um espaço comercial, o mercado era um símbolo vivo da história urbana da cidade, tendo sobrevivido a revoluções, guerras e processos de modernização ao longo de quatro séculos. A destruição parcial de sua estrutura original levanta um debate urgente sobre a preservação de edifícios antigos que permanecem em uso ativo, principalmente aqueles que envolvem manipulação de fogo em cozinhas e instalações elétricas precárias.
Especialistas em patrimônio ouvidos pela imprensa internacional lembram que o caso deve servir de alerta para outros mercados históricos na Europa, muitos dos quais funcionam em condições semelhantes, com madeira centenária e sistemas elétricos adaptados às pressas. Incêndios como este não são raros na França — em 2019, o mundo assistiu ao incêndio da Catedral de Notre-Dame, também em Paris, que destruiu o telhado e a agulha do edifício gótico. Naquela ocasião, o incêndio também foi atribuído a prováveis causas acidentais durante obras de restauração.
Há ainda o impacto imediato sobre os comerciantes e funcionários que dependiam do mercado para viver. Dezenas de famílias perderam seus postos de trabalho da noite para o dia, e a prefeitura prometeu apoio emergencial aos permissionários. Moradores do Marais já organizaram uma corrente de solidariedade nas redes sociais, enquanto associações de preservação do patrimônio pedem que o mercado seja reconstruído com técnicas tradicionais, respeitando a estética original. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, afirmou que a cidade vai trabalhar em conjunto com o governo nacional para garantir a restauração do edifício, mas alertou que o processo pode ser longo e caro.
**Fontes**
As informações foram baseadas em relatos de agências internacionais de notícias, incluindo France Presse, Reuters e Le Monde, além de comunicados oficiais do Corpo de Bombeiros de Paris e da prefeitura da capital francesa. A causa oficial do incêndio ainda está sob investigação.
Por Renan Filho · 2026-10-12