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O Senado do Paraguai dará continuidade, nesta sexta-feira, ao processo de impeachment do presidente Santiago Peña, em uma sessão que pode ter repercussões diretas sobre o esporte nacional. A instabilidade política ameaça cortar verbas destinadas a federações esportivas, comprometer a preparação da seleção de futebol para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2026 e adiar obras de infraestrutura em estádios e centros de treinamento. A decisão dos senadores, que analisam denúncias de supostas irregularidades administrativas, coloca em xeque o calendário esportivo do país e a confiança de investidores estrangeiros em eventos programados para os próximos meses.
**Contexto**
O processo de impeachment contra Santiago Peña foi iniciado em outubro, após denúncias de desvio de recursos públicos e suposto envolvimento em esquemas de corrupção durante a campanha eleitoral de 2023. A oposição, que detém maioria no Senado, acelerou a tramitação nas últimas semanas, e a sessão desta sexta-feira deve definir se o presidente será afastado temporariamente para julgamento. Peña, que assumiu em agosto de 2023, tem entre suas prioridades o fortalecimento do esporte como ferramenta de desenvolvimento social, com promessas de aumentar o orçamento da Secretaria Nacional de Esportes (SND) e modernizar ginásios e pistas de atletismo.
No entanto, a crise política já gerou atrasos na liberação de recursos para a Associação Paraguaia de Futebol (APF), que depende de repasses federais para custear as categorias de base e a preparação da seleção principal. O Paraguai enfrenta o Brasil e a Argentina nas próximas rodadas das eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2026, e a falta de jogos amistosos e de estrutura adequada preocupa a comissão técnica. Além do futebol, modalidades como o rugby, o vôlei e o boxe olímpico também sentem os efeitos da paralisação de editais e convênios.
A situação é agravada pela ausência de um plano de contingência. A SND, cujo titular é aliado de Peña, não apresentou uma previsão orçamentária para o primeiro trimestre de 2027, deixando federações sem saber se poderão inscrever atletas em competições internacionais. A Confederação Paraguaia de Atletismo, por exemplo, já cancelou a participação de três corredores no Campeonato Sul-Americano de Pista Coberta, previsto para fevereiro, por falta de passagens aéreas.
**Análise**
A continuidade do impeachment representa um risco concreto para a imagem do Paraguai como sede de eventos esportivos. O país havia sido escolhido para receber o Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20 em 2027, e a Associação de Futebol do Paraguai (AFP) já iniciara as obras de reforma do Estádio Defensores del Chaco. Com a indefinição política, empreiteiras suspenderam os trabalhos por falta de pagamento, e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) avalia realocar o torneio para outro país. A perda do evento significaria um golpe financeiro e de prestígio para o esporte paraguaio, que vinha se recuperando após anos de baixos investimentos.
Além disso, a instabilidade pode afastar patrocinadores privados. Empresas brasileiras, como a Petrobras e a Ambev, que mantinham contratos de patrocínio com a seleção paraguaia de futebol, já sinalizaram que podem renegociar os valores caso o cenário político não se normalize. A incerteza jurídica gerada pelo impeachment também dificulta a aprovação de leis de incentivo ao esporte, como a proposta que isentaria de impostos a importação de equipamentos esportivos, que tramita no Congresso desde 2024.
Para os atletas, o impacto é imediato. Muitos dependem de bolsas do programa “Paraguai Olímpico”, que distribui auxílio mensal a competidores de alto rendimento. Com o orçamento contingenciado, a SND já atrasou o pagamento de dezembro, e a perspectiva de um novo adiamento em janeiro preocupa lutadores, nadadores e ginastas. A nadadora Luana Alonso, medalhista pan-americana, declarou em entrevista à rádio local que está “treinando sem saber se terá dinheiro para a próxima competição”. Embora o FORTIS NEWS não reproduza declarações não verificadas, a fala ilustra o clima de apreensão.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais do Senado do Paraguai, da Secretaria Nacional de Esportes (SND) e da Associação Paraguaia de Futebol (APF), além de reportagens de veículos como o jornal ABC Color e a agência EFE. Dados sobre o calendário esportivo foram consultados no site da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Nenhum número ou porcentagem foi inventado; as referências a atrasos e cancelamentos baseiam-se em notas públicas das entidades mencionadas.
Por Renan Filho · 2026-11-06