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A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou por unanimidade, em sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira, o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A informação foi divulgada por um importante jornal brasileiro, que teve acesso a fontes do Legislativo paraguaio. A votação, que reuniu tanto deputados da base governista quanto da oposição, marca um ponto de inflexão na crise política que abala o país vizinho.
**Contexto**
O processo de impeachment contra Peña tramitava na Câmara há semanas, impulsionado por denúncias de corrupção envolvendo contratos públicos e suposto uso irregular de recursos estatais. A oposição acusava o presidente de ter permitido superfaturamento em obras de infraestrutura e de não ter prestado contas adequadas ao Congresso. Nos debates que antecederam a votação, parlamentares de diferentes espectros manifestaram descontentamento com a condução do Executivo, incluindo aliados tradicionais que romperam com o governo.
A votação unânime surpreendeu analistas, uma vez que Peña ainda contava com uma base parlamentar significativa até semanas atrás. O encaminhamento da matéria ocorreu após a divulgação de relatórios da Controladoria-Geral do Paraguai que apontaram indícios de irregularidades em licitações. O presidente, por meio de nota oficial, negou as acusações e classificou o processo como “golpe político”. No entanto, a adesão de deputados governistas à abertura do impeachment indica isolamento crescente do Palácio de los López.
Além das denúncias administrativas, fatores econômicos e sociais contribuíram para o desgaste de Peña. O Paraguai enfrenta inflação elevada e aumento da pobreza, o que gerou protestos populares nos últimos meses. A crise no setor energético, com questionamentos sobre a gestão da hidrelétrica de Itaipu, também pesou contra o governo. A imprensa paraguaia noticiou que pelo menos três membros do gabinete presidencial apresentaram renúncia nos últimos dias, sinalizando a fragilidade do Executivo.
**Análise**
A aprovação unânime do impeachment na Câmara representa um terremoto político no Paraguai e reverbera por toda a América do Sul. O país é um dos principais aliados do Brasil no Mercosul e possui laços econômicos e diplomáticos estreitos com a região. A eventual saída de Peña do cargo abre um período de instabilidade que pode afetar acordos comerciais e a pauta de integração regional. O Congresso paraguaio, que já demonstrou forte capacidade de articulação, agora terá de conduzir o julgamento político no Senado, onde a maioria é composta por oposicionistas, tornando o desfecho incerto.
Para o Brasil, o cenário é de preocupação. O governo brasileiro mantém relações comerciais robustas com o Paraguai, sobretudo no setor energético e agrícola. Uma crise prolongada em Assunção pode impactar a exportação de soja, carne e energia elétrica. Além disso, a instabilidade institucional no país vizinho pode gerar pressões migratórias e de segurança na fronteira. A diplomacia brasileira já monitora de perto os desdobramentos, embora até o momento não tenha emitido pronunciamento oficial.
Do ponto de vista jurídico, o Senado paraguaio terá até 120 dias para julgar Peña. Se condenado, o presidente será afastado definitivamente e o vice-presidente, Pedro Alliana, assumirá o cargo. Caso absolvido, Peña retorna ao Palácio de los López, mas com a imagem severamente abalada. Em qualquer cenário, a crise política paraguaia deverá dominar a agenda regional nos próximos meses.
**Fontes**
As informações sobre a votação unânime foram divulgadas por veículos de comunicação brasileiros, que citaram fontes oficiais do Congresso paraguaio. Não foram revelados nomes de parlamentares ou assessores específicos. Os dados contextuais sobre as denúncias contra o presidente Peña e a situação econômica do Paraguai baseiam-se em reportagens anteriores da imprensa paraguaia e relatórios de órgãos governamentais.
Por Renan Filho · 2026-11-05