**Lead**
O iFood, maior plataforma de delivery de alimentos do Brasil, ingressou com uma ação judicial contra a Keeta, subsidiária da chinesa Meituan, acusando a concorrente de adotar práticas predatórias para conquistar mercado no país. A petição, protocolada em novembro de 2026, alega que a Keeta utiliza preços artificialmente baixos, subsídios agressivos e cláusulas de exclusividade que violam a legislação brasileira de concorrência. O caso tramita em segredo de Justiça, mas fontes próximas ao processo confirmaram o teor das acusações.
**Contexto**
A Keeta desembarcou no Brasil em meados de 2025, após um período de testes em cidades do interior paulista. A empresa, controlada pelo grupo Meituan — um dos maiores conglomerados de serviços digitais da China —, rapidamente expandiu sua presença para capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Sua estratégia de entrada foi marcada por ofertas agressivas: cupons de desconto de até 80% em pedidos, frete grátis ilimitado e comissões reduzidas para restaurantes parceiros, em alguns casos zeradas durante os primeiros meses.
O iFood, que detém cerca de 70% do mercado brasileiro de delivery de comida, já havia manifestado preocupação pública com a chegada da concorrente. Em comunicados anteriores, a empresa alertou que a prática de “queima de caixa” — operar com prejuízo para eliminar concorrentes — poderia distorcer o mercado e prejudicar pequenos restaurantes e entregadores. A ação judicial agora formaliza essas queixas, pedindo à Justiça que determine a suspensão imediata das ofertas consideradas predatórias e a imposição de multas diárias.
A Keeta, por sua vez, nega as acusações. Em nota divulgada à imprensa, a empresa afirmou que suas práticas são legais e visam oferecer “preços justos e inovação” ao consumidor brasileiro. A companhia também destacou que investe em logística e tecnologia para melhorar a experiência do usuário, e que a ação do iFood seria uma tentativa de proteger um monopólio estabelecido.
**Análise**
O embate entre iFood e Keeta reflete uma tendência global de guerra de plataformas digitais em mercados emergentes. A Meituan, avaliada em dezenas de bilhões de dólares, tem histórico de usar capital abundante para conquistar fatias de mercado na Ásia, e agora repete a estratégia no Brasil. Para o iFood, controlado pelo grupo sul-africano Prosus e pelo brasileiro Movile, a ameaça é existencial: a Keeta pode forçar uma redução drástica nas margens de lucro, que já são apertadas no setor.
Do ponto de vista regulatório, o caso levanta questões sobre a aplicação da Lei de Defesa da Concorrência (Lei 12.529/2011) a práticas de plataformas digitais. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já investiga condutas semelhantes em outros setores, como o de aplicativos de transporte. Especialistas apontam que a definição de “preço predatório” em serviços digitais é complexa, pois envolve subsídios cruzados e economias de escala. Se a Justiça acolher os argumentos do iFood, poderá estabelecer um precedente importante para o mercado brasileiro.
O impacto imediato para consumidores e restaurantes é ambíguo. De um lado, a concorrência agressiva da Keeta reduz preços e amplia opções. De outro, a longo prazo, a eliminação de concorrentes pode levar a um monopólio ainda mais forte, com aumento de taxas e menor qualidade de serviço. Pequenos restaurantes, que dependem de comissões baixas para sobreviver, podem ser os mais afetados caso a Keeta reduza subsídios após consolidar mercado.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de petição judicial protocolada no Tribunal de Justiça de São Paulo (processo sob sigilo), comunicados oficiais do iFood e da Keeta divulgados à imprensa, e análises de especialistas em direito concorrencial publicadas em veículos como Valor Econômico e Folha de S.Paulo. O FORTIS NEWS não teve acesso direto ao conteúdo integral da ação, mas confirmou os fatos com fontes jurídicas familiarizadas com o caso.
Por Renan Filho · 2026-11-05