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Política

IBJR critica proibição de apostas e pede segurança jurídica ao STF para o setor no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) manifestou-se contra medidas que proíbem as apostas esportivas e solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que garanta um ambiente regulatório estável, evitando insegurança jurídica para operadores e apostadores.

**Lead**

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade que reúne as principais empresas de apostas esportivas e jogos online atuantes no Brasil, criticou publicamente iniciativas que visam proibir as chamadas “bets” e protocolou um pedido formal no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte assegure segurança jurídica ao setor. A ação ocorre em meio a um cenário de incertezas regulatórias, com decisões judiciais conflitantes e projetos de lei que ameaçam inviabilizar um mercado que movimenta bilhões de reais e emprega milhares de brasileiros.

**Contexto**

O debate sobre a legalidade e a regulamentação das apostas esportivas no Brasil ganhou novos contornos nos últimos meses. Desde a sanção da Lei 13.756/2018, que autorizou as apostas de quota fixa, o setor aguarda uma regulamentação definitiva por parte do Ministério da Fazenda. Em 2023, a Medida Provisória 1.182/2023 estabeleceu regras provisórias, mas a falta de um marco legal consolidado gerou uma série de ações judiciais. Alguns tribunais estaduais e federais passaram a determinar a suspensão de atividades de empresas de apostas, sob o argumento de que a exploração do serviço sem regulamentação completa seria ilegal.

O IBJR, que representa operadores como Bet365, Sportingbet, Betfair e outras, sempre defendeu a necessidade de um ambiente regulatório claro, com regras tributárias definidas, mecanismos de combate à lavagem de dinheiro e proteção ao consumidor. No entanto, a recente onda de decisões judiciais contrárias às bets levou a entidade a buscar o STF como última instância para garantir a estabilidade do setor. O pedido, protocolado sob a forma de uma reclamação constitucional, alega que as decisões locais violam a competência da União para legislar sobre o tema e criam insegurança jurídica para investidores e apostadores.

A proibição das apostas, segundo o IBJR, não apenas prejudica a arrecadação de impostos — estimada em dezenas de bilhões de reais ao longo dos próximos anos — mas também empurra os consumidores para o mercado ilegal, que não oferece qualquer garantia de jogo responsável ou proteção contra fraudes. A entidade destaca que o Brasil já possui um arcabouço legal em construção, com a promulgação da Lei 14.790/2023, que estabelece diretrizes para a exploração de apostas, e que a atuação do STF é essencial para evitar um vácuo regulatório que beneficie apenas operadores não licenciados.

**Análise**

A manifestação do IBJR ocorre em um momento crítico para o setor de apostas no Brasil. O governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem demonstrado interesse em regulamentar a atividade como forma de aumentar a arrecadação e combater a clandestinidade. No entanto, a pressão de setores conservadores e de parte do Judiciário, que enxergam as apostas como uma ameaça à saúde financeira das famílias, tem gerado um impasse. O pedido ao STF busca justamente que a Corte defina, de uma vez por todas, a competência da União para legislar sobre o tema e a validade das autorizações já concedidas pelo Ministério da Fazenda.

Do ponto de vista econômico, a insegurança jurídica já afeta os investimentos. Empresas que haviam anunciado planos de expansão no Brasil, com abertura de escritórios e contratação de funcionários, estão em compasso de espera. O mercado de apostas esportivas movimenta, anualmente, valores comparáveis ao de setores tradicionais como o de entretenimento e turismo. A ausência de regras claras também dificulta a atuação de órgãos de controle, como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que precisam de um marco legal para monitorar transações e prevenir crimes financeiros.

A decisão do STF, se favorável ao IBJR, poderá estabelecer um precedente importante para a consolidação do setor. Por outro lado, uma eventual manutenção das proibições locais pode levar a um retrocesso, com o fechamento de empresas e a migração de apostadores para plataformas estrangeiras não reguladas. O IBJR argumenta que a proibição não elimina a demanda, apenas a torna mais arriscada e menos transparente. A entidade também ressalta que o jogo responsável, com limites de apostas e mecanismos de autoexclusão, só pode ser implementado em um ambiente legalizado e fiscalizado.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em comunicado oficial do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), divulgado em seu site institucional, e em documentos protocolados no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo teor foi reportado por veículos de imprensa como Agência Brasil, Folha de S.Paulo e O Globo. Dados sobre o mercado de apostas foram obtidos de relatórios do Ministério da Fazenda e de estudos do próprio IBJR, disponíveis publicamente. Nenhuma declaração direta foi atribuída a representantes do IBJR ou a ministros do STF, respeitando a política editorial de não criar citações não verificadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.