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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou, nesta quinta-feira (10 de outubro de 2026), que conseguiu extinguir 229 incêndios florestais no estado do Amazonas nos últimos três dias. As ações de combate, concentradas nos municípios de Lábrea, Apuí e Manicoré, contaram com o apoio de brigadas especializadas e aeronaves do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). Apesar do avanço significativo, o órgão alerta que a situação ainda é crítica em outras áreas da Amazônia Legal e no Pantanal, onde novas frentes de fogo foram identificadas.
**Contexto**
O Amazonas enfrenta uma das piores temporadas de queimadas dos últimos anos. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que, entre junho e setembro de 2026, o estado registrou um aumento expressivo no número de focos de calor em comparação com a média histórica. A combinação de seca severa, baixa umidade do ar e práticas ilegais de desmatamento tem sido apontada como a principal causa da propagação do fogo.
O Ibama, por meio do Prevfogo, mobilizou cerca de 1.200 brigadistas para atuar na região. As equipes trabalham em regime de plantão, com apoio de helicópteros e aviões-tanque, que realizam lançamentos de água e retardantes de chamas. A operação no Amazonas é coordenada em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do estado e a Força Nacional de Segurança Pública.
Além do Amazonas, os estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia também concentram focos ativos de incêndio. No Pantanal, a situação é igualmente preocupante: o bioma, que já sofreu com queimadas devastadoras em anos anteriores, voltou a registrar focos de calor em áreas de preservação permanente. O governo federal decretou situação de emergência em 23 municípios da região, permitindo a liberação de recursos extras para o combate.
**Análise**
A extinção de 229 incêndios no Amazonas representa um feito operacional relevante, mas não deve ser interpretada como o fim da crise. Especialistas em gestão de riscos ambientais destacam que, sem medidas estruturais de prevenção e fiscalização, o ciclo de queimadas tende a se repetir anualmente com intensidade crescente. A seca prolongada, agravada por fenômenos climáticos como o El Niño, cria condições propícias para a propagação do fogo, que muitas vezes é iniciado de forma criminosa para limpeza de pastagens e expansão agropecuária.
O impacto ambiental é imenso. As queimadas na Amazônia contribuem diretamente para o aumento das emissões de gases de efeito estufa, agravando as mudanças climáticas. Além disso, a fumaça gerada pelos incêndios tem causado problemas de saúde pública em cidades como Manaus e Porto Velho, com aumento de internações por doenças respiratórias, especialmente entre crianças e idosos.
Do ponto de vista político, a atuação do Ibama e dos órgãos ambientais tem sido alvo de debates no Congresso Nacional. Enquanto parlamentares da bancada ruralista pressionam por flexibilização das regras de licenciamento ambiental, organizações não governamentais e cientistas defendem o fortalecimento das multas e da fiscalização remota por satélite. O governo federal, por sua vez, anunciou a criação de um comitê de crise interministerial para coordenar as ações de combate aos incêndios em todo o país.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de comunicado oficial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), divulgado em seu site institucional e redes sociais. Dados complementares sobre focos de calor foram consultados no portal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mantém monitoramento em tempo real por satélite. A situação de emergência nos municípios do Pantanal foi confirmada por decreto publicado no Diário Oficial da União.
Por Renan Filho · 2026-10-10