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Economia

Nova ameaça dos Houthis após ataque a aeroporto na Arábia Saudita acende alerta econômico para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

O grupo rebelde iemenita intensifica hostilidades contra o reino saudita, elevando riscos para o comércio global e o mercado de petróleo, com impactos diretos sobre a balança comercial brasileira e os custos de importação.

**Lead**

O grupo Houthi, que controla amplas regiões do Iêmen, emitiu novas ameaças contra a Arábia Saudita na sequência de um ataque com drones contra o aeroporto de Abha, no sul do país, ocorrido na última semana. A escalada de tensões no Oriente Médio reacendeu preocupações no mercado internacional de petróleo e nos corredores logísticos que conectam o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, rota essencial para importações brasileiras de fertilizantes e exportações de commodities. Para o Brasil, maior exportador global de carne de frango e um dos líderes em soja e minério de ferro, a instabilidade na região pode pressionar os custos de frete, elevar o preço dos combustíveis e reduzir a demanda de parceiros árabes, afetando diretamente a balança comercial.

**Contexto**

Os Houthis, apoiados pelo Irã, vêm realizando ataques contra alvos sauditas desde 2015, quando a coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio no conflito iemenita. O aeroporto de Abha, próximo à fronteria com o Iêmen, já foi alvo de múltiplas investidas. O ataque mais recente, com uso de drones explosivos, foi reivindicado pelo grupo como resposta a supostos bombardeios sauditas contra civis. Embora as autoridades sauditas informem ter interceptado a maioria dos artefatos, a reincidência expõe a fragilidade da segurança na região.

Do ponto de vista econômico, a Arábia Saudita é o maior produtor de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e um dos principais fornecedores de crude para o Brasil. Dados da Agência Nacional do Petróleo indicam que o Brasil importa cerca de 10% de seu petróleo da Arábia Saudita, principalmente para refinarias que processam óleo pesado. Além disso, a região do Mar Vermelho e do canal de Suez é uma das mais movimentadas rotas comerciais do mundo, por onde escoa cerca de 12% do comércio global, incluindo grandes volumes de fertilizantes (como potássio e fofatos) que o Brazil adquire de paises como a Rússia e a Jordânia, que também usam este corredor.

O Brasil mantém relações diplimáticas sólidas com a monarquia saudita, e o reino é um importante comprador de carne de frango (o segundo maior destino, atrás da China), bem como de carne bovina e açúcar. Em 2025, as exportações brasileiras para a Arábia Saudita ultrapassaram US$ 4 bilhões, com tendência de crescimento. Qualque interrupção no fluxo comercial – seja por aumento de seguros de guerra, fechamento temporário de portos ou militarização da região – pode golpear esses números.

**Análise**

Essa nova ameaça dos Houthis ocorre em um momento de já elevada volatilidade nos mercados de energía. Com a guerra na Ucrânia ainda em curso e as sanções ocidentais contra o petróleo russo, qualquer abalo no fornecimento do Oriente Médio tende a ser amplificado. Para o Brasil, o impacto se dá por dois canais principais: o preço dos combustíveis e o custo logístico.

No front dos preços, um barril de petróleo mais caro se reflete nos custos de transporte de todo o comércio, incluindi uma cadeia de insumos e alimentos. Se a gasolina e o diesel subirem internamente, a inflação pode ser afetada, pressionando o Banco Central a manter juros altos, o que freia o crescimento econômico. No âmbiro das exportaçoes, frete marítiro mais caro e seguro mais alto reduzem a competitividade dos produtos brasileiros frente a concorrentes de outras regiões, como os EUA e a Ucrânia para grãos, ou a Tailândia para frango.

Além disso, a instabilidade pode enfraquecer a demada dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) por alimentos brasileros. O reino saudita, por exemplo, sustenta um ambicioso programa de segurânça alimentar (Visão 2030) que inclui compras governamentais e contrato de longo prazos para carne e ceviais. Se o risco de interupção nas entregas obrigar essas naçõs a buscarem fornecedores alternativos (como a União Européia ou os EUA), o Brasil pode perder mercados conquistados durante anus. Por outro lado, eventuais sanções ou retaliações contra o Irã, aliado dos Houthis, podem criar oportunidads para o Brasil exportar mais etanol ou minério para paísses que se afastarem do eixo iraniano, mas esse cenário é incerto.

**Fontes**

As informações aqui apresentadas foram compiladas a partir de reportagens da agência Reuters sobre o ataque ao aeroporto de Abha, análises do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) sobre a segurança no Mar Vermelho, e dados de comércio exterior do Ministério da Economia do Brasil e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.