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Os rebeldes Houthis do Iêmen voltaram a ameaçar a Arábia Saudita neste sábado (11), um dia após lançarem um ataque com drone contra o aeroporto regional de Jazan, no sul do reino. Em comunicado divulgado pela agência controlada pelo grupo, os houthis afirmaram que a operação foi uma resposta aos contínuos bombardeios da coalizão saudita contra posições sob seu controle e prometeram novos ataques, desta vez contra alvos ainda mais sensíveis.
**Contexto**
O aeroporto de Jazan, localizado a poucos quilômetros da fronteira com o Iêmen, é usado tanto para voos civis quanto como base logística militar. O ataque, ocorrido na sexta-feira (10), não deixou vítimas fatais, segundo informações preliminares, mas causou danos em uma área de pátio e interrompeu temporariamente as operações. As autoridades sauditas não confirmaram oficialmente a extensão dos estragos até o fechamento desta edição.
O grupo houthi, que controla a capital Sanaa e vastas áreas do norte do Iêmen desde 2014, vem intensificando lançamentos de drones e mísseis contra o território saudita. A escalada acontece em meio a um impasse nas negociações de paz mediadas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Embora um cessar-fogo tenha vigorado por vários meses, os termos para um acordo definitivo continuam travados, principalmente em relação à reabertura do aeroporto de Sanaa, ao pagamento de salários de funcionários públicos e à distribuição de recursos do petróleo.
A Arábia Saudita, por sua vez, lidera uma coalizão militar que intervém no Iêmen desde 2015, em apoio ao governo reconhecido internacionalmente, que opera hoje a partir de Aden e de outras cidades do sul. A guerra já matou centenas de milhares de pessoas, segundo estimativas da ONU, e provocou uma das piores crises humanitárias do mundo, com milhões de deslocados e grave escassez de alimentos e medicamentos.
Nos últimos meses, os houthis também passaram a atacar navios ligados a Israel ou com destino a portos israelenses no mar Vermelho e no golfo de Áden, em uma tentativa de ampliar sua influência regional e demonstrar solidariedade ao Hamas na guerra contra Israel. Esses ataques atraíram retaliações dos Estados Unidos e do Reino Unido, além de terem elevado o custo do transporte marítimo internacional, com rotas desviadas pelo cabo da Boa Esperança.
**Análise**
A nova ameaça houthi acontece em um momento de fragilidade diplomática no Oriente Médio. A aproximação entre Arábia Saudita e Irã, mediada pela China em 2023, reduziu o risco imediato de uma guerra direta entre os dois países, mas não levou a um acordo de paz iemenita. Teerã nega apoio militar direto aos houthis, embora especialistas apontem para o fornecimento de tecnologia de mísseis e drones, além de treinamento de combatentes.
O ataque a Jazan tem um significado simbólico importante: demonstra a capacidade do grupo de alcançar instalações aéreas próximas da fronteira, ainda sob intensa vigilância da coalizão saudita. Ao mesmo tempo, a promessa de novos ataques pressiona Riad em duas frentes — a segurança doméstica e a economia. Um prolongamento da instabilidade pode aumentar o prêmio de risco sobre o petróleo, em um cenário global já marcado por tensões na Europa Oriental e por decisões de oferta da Opep+.
A resposta saudita, por enquanto, deverá ser a intensificação de bombardeios contra as províncias de Saada, Hajjah e Amran, redutos houthis no norte iemenita. No entanto, analistas apontam que a escalada militar tende a ser ineficaz a longo prazo e a agravar o sofrimento da população civil, o que pode abrir espaço para novas crises migratórias no chifre da África e no Oriente Médio.
A comunidade internacional, que reduziu sua atenção ao Iêmen diante de outras emergências globais, volta a ser confrontada com um dilema: pressionar por um cessar-fogo renovado ou aceitar o risco real de fragmentação definitiva do país árabe, enquanto os houthis se consolidam como um ator militar expressivo na região.
**Fontes**
As informações foram coletadas a partir de comunicados oficiais do movimento houthi, de agências internacionais de notícias e de relatórios públicos da ONU sobre a situação humanitária e de segurança no Iêmen. Não foram usadas fontes anônimas neste artigo.
Por Renan Filho · 2026-10-11