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Na tarde desta quinta-feira, 24 de outubro de 2026, um homem foi preso em flagrante após atropelar um grupo de crianças que participava de uma manifestação pacífica no centro histórico de Ilhabela, litoral norte de São Paulo. O incidente ocorreu por volta das 15h30, durante um protesto organizado por moradores e comerciantes locais contra a falta de infraestrutura e o aumento da violência no município. Três crianças, com idades entre 8 e 12 anos, foram atingidas e encaminhadas ao Pronto-Socorro Municipal. Segundo a Secretaria de Saúde de Ilhabela, duas delas tiveram ferimentos leves, como escoriações e uma fratura no braço, enquanto uma terceira sofreu um traumatismo craniano leve, mas já está consciente e fora de perigo.
**Contexto**
A manifestação reunia cerca de 200 pessoas na Praça das Bandeiras, próximo à Prefeitura de Ilhabela. O protesto, iniciado às 14h, reivindicava melhorias na pavimentação asfáltica, saneamento básico e segurança pública na região do bairro Perequê. Participavam famílias inteiras, incluindo diversas crianças que seguravam faixas e cartazes. Testemunhas relataram que o trânsito estava parcialmente interditado por manifestantes, que ocupavam uma faixa da Avenida Riachuelo. Segundo a Polícia Militar, que acompanhava o protesto à distância, o condutor de um veículo modelo sedan, de cor prata, teria tentado furar o bloqueio humano e, ao ser abordado pelos manifestantes, acelerou o veículo em direção ao grupo onde estavam as crianças.
O motorista, um homem de 42 anos, identificado apenas como morador de Ilhabela, foi contido por populares até a chegada da Polícia Militar, que o prendeu em flagrante por tentativa de homicídio culposo e lesão corporal. A Polícia Civil de Ilhabela instaurou inquérito para apurar as circunstâncias. A delegada responsável, que não teve o nome divulgado devido às regras do portal, informou que o condutor não possuía antecedentes criminais, mas será investigado também por eventual crime de homicídio doloso, caso fique comprovada a intenção de atropelar os manifestantes. O veículo foi apreendido e passará por perícia.
A Prefeitura de Ilhabela emitiu nota oficial repudiando o ato de violência e se solidarizando com as famílias das crianças feridas. O prefeito, em exercício na ocasião, convocou uma reunião emergencial com as secretarias de Segurança e Educação para discutir medidas de proteção em protestos. O Conselho Tutelar da cidade acompanha o caso e presta apoio psicológico às crianças e seus responsáveis.
**Análise**
O atropelamento de crianças durante uma manifestação em Ilhabela expõe uma triste realidade que se repete em várias cidades brasileiras: o agravamento da tensão social e o desrespeito ao direito de protesto. Embora os manifestantes estejam sujeitos a regras de trânsito e à lei, a ação de um motorista que usa o veículo como arma contra pessoas indefesas, especialmente crianças, é um sinal alarmante da escalada da violência no país. O episódio ocorre em um momento em que o Brasil debate a segurança em eventos públicos e o uso de veículos para ataques deliberados, tema que ganhou destaque após casos semelhantes em outros estados.
Especialistas em segurança pública apontam que a falta de diálogo entre manifestantes, forças policiais e condutores pode levar a tragédias como esta. A atuação rápida da polícia e a prisão em flagrante são fundamentais para coibir novos atos, mas a prevenção depende de políticas que garantam a segurança de todos os envolvidos em protestos. O incidente em Ilhabela também levanta questionamentos sobre a ausência de um planejamento de trânsito alternativo para moradores e comerciantes locais durante manifestações, o que poderia evitar confrontos.
A sociedade civil e as autoridades locais devem refletir sobre como permitir a livre manifestação, um direito constitucional, sem expor crianças a riscos. O caso de Ilhabela, felizmente sem vítimas fatais, serve como alerta para que prefeituras e órgãos de segurança municipal revelem protocolos de proteção em atos públicos.
**Fontes**
- Polícia Militar do Estado de São Paulo (boletim de ocorrência da 3ª Companhia do 20º Batalhão de Polícia Militar). - Secretaria Municipal de Saúde de Ilhabela (informes sobre estado de saúde das vítimas). - Prefeitura Municipal de Ilhabela (nota oficial publicada no site da prefeitura). - Polícia Civil de Ilhabela (inquérito instaurado, número não divulgado por sigilo). - Relatos de testemunhas colhidos pela imprensa local (sem identificação nominal para proteção).
Por Renan Filho · 2026-10-25