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O verão brasileiro de 2026 trouxe recordes de temperatura em várias regiões do país, e com ele cresce a preocupação com a hidratação dos idosos. Pessoas acima dos 60 anos têm maior propensão à desidratação devido a fatores fisiológicos e ao uso de medicamentos, exigindo atenção redobrada de familiares e cuidadores. A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam que idosos consumam água regularmente ao longo do dia, mesmo quando não sentem sede.
**Contexto**
O envelhecimento natural reduz a sensação de sede e a capacidade do organismo de reter água. Além disso, muitos idosos fazem uso de diuréticos ou medicamentos para hipertensão e diabetes, que aumentam a perda de líquidos. Nos dias de calor intenso, a transpiração e a evaporação aceleram esse processo, podendo levar a quadros de desidratação que comprometem rins, coração e funções cognitivas.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia indicam que as ondas de calor se tornaram mais frequentes e prolongadas nas últimas décadas, afetando especialmente as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Em alguns municípios, as temperaturas máximas ultrapassaram os 40°C, como ocorreu no início de outubro no Rio de Janeiro e em Goiás. Nessas condições, os idosos que permanecem em casa sem refrigeração adequada ou que realizam atividades ao ar livre são os mais vulneráveis.
O Ministério da Saúde, por meio de campanhas sazonais, orienta que cuidadores ofereçam água a cada duas horas, além de sucos naturais, água de coco e chás sem cafeína. Alimentos ricos em água, como melancia, melão, pepino e laranja, também são recomendados. É importante evitar bebidas alcoólicas e com alto teor de açúcar, pois podem agravar a desidratação.
**Análise**
A desidratação em idosos pode se manifestar de forma silenciosa. Sintomas como boca seca, fraqueza, confusão mental e aumento da frequência cardíaca muitas vezes são confundidos com sinais normais do envelhecimento ou com efeitos colaterais de remédios. Por isso, o monitoramento ativo por parte de familiares e profissionais de saúde é crucial. Em unidades de pronto-atendimento, o número de internações por desidratação em pacientes idosos costuma dobrar durante os meses de verão.
A falta de hidratação adequada está associada a complicações renais, infecções urinárias recorrentes e piora de doenças crônicas. A prevenção é simples e de baixo custo, mas exige mudança de hábitos e conscientização. Muitos idosos evitam beber água por medo de incontinência ou por dificuldade de acesso ao banheiro, o que deve ser discutido com a equipe médica para encontrar soluções, como rotinas de idas ao banheiro e uso de fraldas noturnas.
**Fontes**
As informações foram baseadas em recomendações do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de dados meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Por Renan Filho · 2026-10-18