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Politica

Haddad questiona Tarcísio sobre suposto apoio a filhos de Milton Leite para cargos federais

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou explicações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a respeito de um suposto apoio político aos filhos do ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, para ocuparem posições no governo federal.

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), questionou publicamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre um suposto esquema de apoio político aos filhos do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), para que assumam cargos no governo federal. A declaração ocorreu durante um evento político na capital paulista, na última segunda-feira, e reacendeu o debate sobre a influência de grupos familiares na máquina pública. Haddad, que também é ex-prefeito de São Paulo, afirmou que a transparência nas indicações é essencial para evitar conflitos de interesse e garantir a lisura da administração pública.

**Contexto**

Milton Leite é uma figura histórica da política paulistana. Foi vereador por mais de três décadas e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo entre 2017 e 2020, período em que consolidou uma base de poder que inclui alianças com diferentes espectros ideológicos. Seus filhos, cujos nomes não foram oficialmente revelados em documentos públicos, são apontados por aliados como potenciais candidatos a cargos comissionados ou a indicações para diretorias de estatais e autarquias federais. A suspeita levantada por Haddad é de que Tarcísio estaria utilizando sua influência junto ao governo federal para viabilizar essas nomeações, em troca de apoio político em São Paulo.

Tarcísio de Freitas, governador desde 2023, tem mantido uma relação ambígua com o Palácio do Planalto. Embora seja aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu governo tem buscado diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pautas de interesse do estado, como infraestrutura e segurança pública. Essa aproximação, no entanto, é vista com desconfiança por setores do PT, que enxergam nas movimentações de Tarcísio uma tentativa de cooptar aliados do centrão para fortalecer sua própria base eleitoral.

A polêmica ganhou contornos mais nítidos após a divulgação de um áudio, amplamente repercutido nas redes sociais, no qual uma voz atribuída a um interlocutor próximo a Tarcísio menciona a possibilidade de “acomodar” os filhos de Milton Leite em pastas federais. Haddad, ao ser questionado por jornalistas, afirmou que já solicitou ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que investigue a veracidade da gravação. “Não podemos permitir que o aparelhamento do Estado seja feito por meio de acordos de bastidores. O povo brasileiro merece transparência”, declarou o ministro, em tom de crítica.

**Análise**

O embate entre Haddad e Tarcísio expõe uma das fissuras mais profundas da política brasileira atual: a disputa pelo controle do chamado “centrão” e suas ramificações regionais. Milton Leite, embora não ocupe mais a presidência da Câmara Municipal, mantém influência sobre vereadores e deputados estaduais que integram a base do governo paulista. Seus filhos, que atuam nos bastidores da política, representam uma continuidade desse poder familiar, algo comum em diversas regiões do país, mas que frequentemente gera questionamentos sobre nepotismo e tráfico de influência.

Do ponto de vista estratégico, Haddad parece mirar dois alvos simultâneos. Primeiro, enfraquecer a imagem de Tarcísio como gestor independente, associando-o a práticas de favorecimento pessoal. Segundo, sinalizar ao eleitorado de esquerda que o PT não tolerará alianças espúrias com grupos que historicamente se beneficiaram de cargos públicos sem critérios técnicos. A ofensiva ocorre em um momento delicado para o governo Lula, que enfrenta pressão para reduzir o número de cargos comissionados e aumentar a eficiência da máquina pública.

Por outro lado, Tarcísio pode se beneficiar politicamente ao se apresentar como vítima de uma “caça às bruxas” promovida pelo PT. Em nota oficial, o governo de São Paulo negou qualquer irregularidade e classificou a acusação de Haddad como “leviana e sem provas”. A assessoria do governador afirmou que “não há qualquer tratativa com o governo federal sobre nomeações de familiares de Milton Leite” e que “o governador sempre pautou sua gestão pela ética e pela legalidade”. A resposta, no entanto, não convenceu aliados de Haddad, que prometem levar o caso ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria-Geral da União (CGU).

**Fontes**

As informações deste artigo foram obtidas a partir de declarações públicas do ministro Fernando Haddad durante evento em São Paulo, de nota oficial do governo do estado de São Paulo, de reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, e de registros de áudio amplamente divulgados nas redes sociais, cuja autenticidade ainda não foi confirmada por perícia independente. Não foram utilizadas fontes anônimas ou exclusivas do FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.