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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), questionou publicamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre um suposto apoio político aos filhos do vereador Milton Leite (União Brasil) para ocuparem cargos no governo federal. A declaração foi feita durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (30), em Brasília, após reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável. Haddad afirmou que o tema foi levantado por aliados e que espera transparência do governador.
**Contexto**
Milton Leite, presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é uma figura central na política paulistana e tem forte influência sobre a base aliada do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Seus filhos, que atuam em áreas de articulação política, teriam sido mencionados em conversas informais como potenciais indicados para cargos em ministérios ou autarquias federais, especialmente em pastas ligadas a infraestrutura e desenvolvimento regional. A informação, ainda não confirmada por fontes oficiais, circula nos bastidores desde o início do mês.
Tarcísio de Freitas, ex-ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro, mantém uma relação ambígua com o governo Lula. Embora tenha declarado apoio a pautas econômicas do Planalto, como o arcabouço fiscal, o governador paulista evita alinhamentos explícitos com o PT. A suspeita de que estaria articulando indicações para o governo federal gerou desconforto entre aliados de Haddad, que veem a movimentação como uma tentativa de fortalecer a oposição dentro da máquina pública.
**Análise**
A cobrança de Haddad expõe as tensões entre o PT e o Republicanos, partido de Tarcísio, que busca ampliar sua influência nacional. O ministro da Fazenda, que foi prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016, conhece bem o peso político de Milton Leite, que comandou a Câmara Municipal durante parte de sua gestão. Para Haddad, a eventual nomeação de filhos de Leite para cargos federais poderia ser interpretada como um aceno do governo Lula a setores conservadores, algo que ele considera desnecessário neste momento.
Do ponto de vista estratégico, Tarcísio tenta equilibrar sua base bolsonarista com a necessidade de dialogar com o Planalto para garantir recursos para São Paulo. O governador negou qualquer articulação, mas não descartou conversas institucionais com Milton Leite. A declaração de Haddad, no entanto, coloca o governador em uma posição delicada: se confirmado o apoio, Tarcísio pode ser acusado de usar sua influência para beneficiar aliados; se negar, pode perder o apoio de Leite, que é um dos principais articuladores do centrão paulista.
**Fontes**
A informação foi baseada em declarações públicas do ministro Fernando Haddad durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 30 de setembro de 2026. A reportagem também consultou notas oficiais do governo de São Paulo e da assessoria do vereador Milton Leite, que não se pronunciou até o fechamento desta edição. Dados sobre a relação entre Tarcísio e o centrão foram obtidos de arquivos de agências de notícias nacionais, como Agência Brasil e Estadão Conteúdo.
Por Renan Filho · 2026-09-30