FORTIS
← FORTIS
Tecnologia

Em SP, Haddad intensifica campanha para Lula e ataca Flávio Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Ministro da Fazenda participa de agendas eleitorais em São Paulo e afirma que a disputa ficou mais fácil diante do bolsonarismo, enquanto o PT busca consolidar votos no maior colégio eleitoral do país.

**Lead**

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou nesta quinta-feira (7 de outubro de 2026) de uma série de compromissos de campanha em São Paulo pedindo votos para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que está fácil fazer campanha contra Flávio Bolsonaro. Em eventos na capital paulista, Haddad reforçou a importância de vencer no maior colégio eleitoral do país e usou as redes sociais para convocar eleitores e eleitoras a comparecerem às urnas. A declaração provocou reações imediatas de aliados e adversários, recolocando a disputa presidencial sob os holofotes no estado que concentra o maior número de eleitores do Brasil. Apesar do tom de campanha, o ministro ressaltou que segue à frente da agenda econômica e que a política monetária e fiscal permanecem em curso. O episódio ocorre em um momento de intensa polarização nacional e de consolidação das candidaturas para o pleito que será decidido no próximo dia 25 de outubro. Com a aproximação da reta final, o PT amplia a presença em territórios estratégicos e busca reverter a vantagem do adversário em algumas regiões do Sudeste. Aliados do ex-presidente avaliam que a participação de Haddad é decisiva para atrair o eleitorado urbano, especialmente os segmentos mais jovem e periférico, que historicamente responderam bem à mensagem petista em São Paulo.

**Contexto**

Fernando Haddad é uma das principais lideranças do PT em São Paulo e já disputou duas eleições para prefeito da capital, vencendo em 2012 e perdendo em 2016. Sua atuação à frente do Ministério da Fazenda desde 2023 fortaleceu sua imagem de principal porta-voz da política econômica do governo Lula, mas também o transformou em alvo preferencial da oposição. Nesta quinta-feira, Haddad esteve em bairros da zona sul e zona leste, conversou com comerciantes e lideranças comunitárias, e participou de um ato na região central da cidade. Em discurso, o ministro afirmou que a campanha contra Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e senador pelo Rio de Janeiro, tornou-se mais simples devido ao que chamou de falta de propostas concretas para as áreas urbanas, especialmente transporte, moradia e segurança pública. Flávio Bolsonaro é uma das vozes mais ativas do bolsonarismo no Congresso e tem atuado como articulador político do núcleo familiar, embora não seja candidato à Presidência nesta eleição. A fala de Haddad integra uma estratégia mais ampla do PT para contrastar o que a legenda classifica como retrocesso nas políticas sociais com os avanços do atual governo em indicadores como emprego, renda e programas de transferência de renda. Nos bastidores, a campanha petista trabalha com pesquisas internas que apontam crescimento de Lula entre eleitores que declaram ter melhorado de vida nos últimos anos, um segmento que pode ser decisivo nas urnas. A movimentação em São Paulo também visa responder à ofensiva do PL, que tem concentrado esforços em estados do Sul e do Sudeste. O partido do ex-presidente Bolsonaro planeja uma série de atos públicos nesta semana para tentar manter a dianteira no estado, e a presença de Haddad em agendas de rua é vista pela coordenação nacional como um contraponto necessário. O colégio eleitoral paulista é o maior do Brasil, com mais de 34 milhões de eleitores aptos a votar, e o resultado no estado costuma ter peso relevante na definição do presidente eleito. Desde a redemocratização, nenhum candidato venceu a disputa presidencial sem sair na frente em São Paulo. Analistas políticos lembram que a última vitória de Lula no estado foi em 2006, quando ele conquistou a reeleição, e que desde então o PT encontrou dificuldades crescentes para vencer no território. A campanha aposta agora em uma combinação de nostalgia do primeiro governo Lula com comparações diretas entre as gestões recentes para tentar quebrar essa barreira.

**Análise**

A declaração de Haddad sobre Flávio Bolsonaro tem um peso simbólico importante, pois sinaliza que o PT deseja associar o principal nome da oposição à herança política e administrativa do bolsonarismo, evitando um confronto apenas com o candidato indicado pelo PL. Essa estratégia busca deslocar o debate para o terreno das políticas públicas e das alianças, em vez de permitir que a disputa se limite a uma avaliação da conjuntura econômica. A escolha de Flávio como alvo específico, em vez do próprio Jair Bolsonaro, também parece calculada para explorar as divisões internas do campo conservador e para relembrar ao eleitorado os episódios de investigação envolvendo o senador, sem mencioná-los diretamente. Em um ambiente de alta fragmentação partidária, a fala de Haddad tende a reverberar especialmente entre eleitores indecisos das periferias de São Paulo, que acompanham a disputa mais pelo impacto nas condições de vida cotidiana do que por embates institucionais. Ao mesmo tempo, a intensificação da campanha petista no estado ocorre em um cenário de melhora moderada dos indicadores econômicos, com inflação sob controle e mercado de trabalho aquecido, fatores que o governo tem usado para defender a continuidade da atual administração. A popularidade do presidente tem oscilado, mas o PT aposta na percepção de progresso material para compensar eventuais desgastes setoriais, como os registrados na área de segurança pública. Especialistas em comportamento eleitoral avaliam que a presença de ministros em palanques amplia a visibilidade do governo e facilita a comunicação das realizações federais para o eleitorado local, algo que a campanha adversária tenta neutralizar com discursos de mudança. No entanto, a estratégia também carrega riscos: ao colocar Haddad na linha de frente, a campanha expõe uma das figuras públicas mais atacadas pela oposição e pode dar margem a uma amplificação das críticas à política fiscal, mesmo em um ambiente de campanha. Além disso, a ênfase na comparação com Flávio Bolsonaro, um político com atuação predominantemente nacional desde o mandato de senador, pode ser interpretada como uma fuga do debate local, que historicamente favorece candidatos mais próximos dos temas municipais e estaduais.

**Perspectivas**

A poucos dias do primeiro turno, a movimentação de Haddad em São Paulo indica que o PT pretende encerrar a campanha no estado com uma presença ainda maior de ministros e lideranças nacionais na rua, apostando no chamado voto de transferência. Há expectativa de que novas agendas sejam confirmadas para a região metropolitana e para cidades do interior, onde a margem entre os principais candidatos é mais estreita. Caso o cenário de ida para o segundo turno se confirme, São Paulo se tornará o epicentro da disputa nacional, e os últimos dias antes da votação serão marcados por uma enxurrada de eventos e mobilizações digitais. A fala de Haddad sobre Flávio Bolsonaro também deve ser explorada pela campanha nas redes sociais, com cortes dos discursos e comparações diretas de propostas para grandes projetos urbanos e para a retomada de obras paradas. Não há indícios de que o senador vá responder diretamente ao ministro, uma vez que não é candidato; a tarefa de rebater os ataques terá de ser executada pelo partido e por seus aliados. Isso pode criar um descompasso no campo da oposição, que precisará responder sem o protagonismo esperado de seu principal articulador institucional. O FORTIS NEWS seguirá acompanhando a agenda dos presidenciáveis em São Paulo e os desdobramentos dessa disputa até o dia da votação, trazendo informações verificadas e contextualizadas para que os leitores possam acompanhar o processo eleitoral com clareza.

**Fontes**

Este artigo baseia-se em informações públicas divulgadas nas redes sociais de Fernando Haddad e em registros de imprensa de veículos como Agência Brasil, G1 e Folha de S.Paulo, além de notas oficiais da campanha do PT. Os dados sobre o eleitorado paulista foram obtidos no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disponíveis na seção de estatísticas eleitorais. As análises citadas referem-se a comentários de cientistas políticos publicados em veículos nacionais e internacionais de credibilidade reconhecida.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.