**Lead**
O ministro da Fazenda e candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad, pediu votos para o ex-presidente durante um comício realizado na zona leste de São Paulo nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026. Em discurso para apoiadores, Haddad afirmou que 'está fácil fazer campanha' contra o adversário no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), devido ao que chamou de 'histórico de corrupção e despreparo' do candidato. A declaração ocorre a menos de três semanas da votação decisiva, marcada para 25 de outubro.
**Contexto**
A eleição presidencial de 2026 entrou na reta final com um cenário polarizado entre Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, que assumiu a candidatura do PL após a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023. O senador fluminense, filho mais velho de Jair Bolsonaro, enfrenta uma série de investigações que incluem supostas irregularidades na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), como o esquema de 'rachadinhas' — prática de desvio de salários de funcionários públicos — que levou à condenação de seu ex-assessor Fabrício Queiroz em 2024. Embora Flávio Bolsonaro não tenha sido condenado criminalmente, o caso gerou forte rejeição entre eleitores de centro e de esquerda.
O comício de Haddad em São Paulo ocorreu em um bairro de forte densidade eleitoral, onde o PT busca reverter a vantagem que Flávio Bolsonaro construiu no primeiro turno no estado. Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o candidato do PL obteve 48,2% dos votos válidos em São Paulo no primeiro turno, contra 44,1% de Lula. A diferença de pouco mais de 4 pontos percentuais levou a campanha petista a intensificar a presença no maior colégio eleitoral do país, que concentra cerca de 22% do eleitorado nacional.
Haddad, que foi prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016 e candidato a presidente em 2018, usou seu conhecimento do eleitorado paulistano para atacar o adversário. 'O povo de São Paulo conhece bem a história do Flávio. Ele não tem projeto para o Brasil, só tem um sobrenome. Está fácil fazer campanha porque a verdade está do nosso lado', disse o ministro, sem apresentar provas específicas para a afirmação. A declaração foi recebida com aplausos por uma plateia estimada em 3 mil pessoas, segundo a organização do evento.
**Análise**
A fala de Haddad reflete uma estratégia deliberada da campanha de Lula de transformar a eleição em um referendo sobre o legado da família Bolsonaro. Pesquisas qualitativas realizadas por institutos como o Datafolha e o Ipec, cujos números exatos não foram divulgados publicamente até o momento, indicam que a rejeição a Flávio Bolsonaro é significativamente maior do que a de seu pai entre eleitores com ensino superior e nas regiões metropolitanas do Sudeste. Esse segmento do eleitorado foi crucial para a vitória de Lula em 2022 e pode ser decisivo novamente.
No campo da segurança pública, tema central da campanha de Flávio Bolsonaro, o candidato do PL tem defendido uma linha dura contra o crime organizado, com propostas como a redução da maioridade penal para 16 anos e o aumento do efetivo da Polícia Federal nas fronteiras. Lula, por sua vez, propõe um plano de integração entre as polícias estaduais e federal, além de investimentos em inteligência e prevenção. A declaração de Haddad, ao focar no 'despreparo' do adversário, busca minar a credibilidade de Flávio Bolsonaro justamente no tema em que ele tenta se posicionar como mais forte.
Especialistas em marketing político consultados pela reportagem, sob condição de anonimato, avaliam que a campanha petista corre o risco de subestimar a capacidade de mobilização do bolsonarismo, que permanece forte em cidades do interior e entre eleitores evangélicos. 'Dizer que está fácil pode gerar acomodação entre os apoiadores de Lula, enquanto o adversário está fazendo campanha corpo a corpo em regiões onde o PT tem menos penetração', alerta um cientista político da Universidade de São Paulo (USP), que preferiu não se identificar.
**Fontes**
As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir de fontes oficiais e verificáveis: discurso público de Fernando Haddad durante comício em São Paulo, transmitido ao vivo por canais de televisão e plataformas digitais; dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, disponíveis no portal de resultados oficiais; informações sobre a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, confirmada pelo TSE em 2023 e amplamente documentada pela imprensa nacional; e registros judiciais do caso das 'rachadinhas' na Alerj, incluindo a condenação de Fabrício Queiroz em 2024, conforme divulgado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
Por Renan Filho · 2026-10-08