FORTIS
← FORTIS
Politica

Haddad pede moderação enquanto Tarcísio foge do debate sobre privatizações

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Em meio à campanha eleitoral de 2026, o candidato petista Fernando Haddad apelou para que eleitores deixem de lado 'paixões políticas', enquanto o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, evitou responder perguntas sobre privatizações em entrevista nacional. Para o liberal-conservadorismo, ambas as posturas revelam o mesmo problema: falta de coragem para enfrentar o verdadeiro debate sobre o tamanho do Estado.

O cenário político brasileiro em setembro de 2026 apresenta um paradoxo curioso. De um lado, o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, pediu que os eleitores 'deixem as paixões políticas de lado' e avaliem propostas com racionalidade. Do outro, o governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo Republicanos, Tarcísio de Freitas, recusou-se a discutir o programa de privatizações do estado durante entrevista ao programa 'Roda Viva' da TV Cultura. Para a linha editorial liberal-conservadora do FORTIS NEWS, ambas as atitudes merecem análise crítica, pois escamoteiam o que realmente importa: a redução do Estado e a liberdade econômica.

Haddad fez a declaração durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na última terça-feira. Segundo o candidato, 'o Brasil precisa de um debate de ideias, não de ódio'. A fala ecoa o discurso de Lula em 2022, mas contrasta com a prática do PT, que historicamente utiliza a polarização como motor eleitoral. Em 2026, com a economia ainda patinando — inflação na casa de 6,5% ao ano e crescimento do PIB abaixo de 2% — Haddad tenta se apresentar como um estadista moderado. No entanto, seu programa de governo prevê aumento de tributos sobre grandes fortunas e dividendos, além da ampliação de programas sociais, o que contradiz a defesa de um Estado enxuto.

Tarcísio, por sua vez, participou do 'Roda Viva' na quinta-feira e, quando questionado sobre o plano de privatização da Sabesp e da Emae, desviou o assunto para 'eficiência na gestão' e 'parcerias público-privadas'. Em nenhum momento usou a palavra 'privatização'. De acordo com a assessoria do governador, a entrevista foi 'ampla e o tempo não permitiu aprofundar cada tema'. Mas dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado mostram que as empresas estatais paulistas acumulam déficit operacional de R$ 2,3 bilhões em 2025. A privatização da Sabesp, aprovada em 2024, já rendeu R$ 14 bilhões aos cofres públicos, mas Tarcísio parece temer o desgaste político em ano eleitoral.

Por que isso importa? Porque o eleitor brasileiro merece ouvir posições claras sobre o papel do Estado na economia. O apelo de Haddad por 'paixões de lado' é hipócrita quando seu partido continua a demonizar o capital privado e a defender a ampliação da máquina pública. Já Tarcísio, que se elegeu com a bandeira do liberalismo econômico e do legado de João Doria, agora recua diante do primeiro sinal de pressão popular. A privatização não é um tabu: é a única saída para um país que gasta 38% do PIB com o setor público e entrega serviços de péssima qualidade, como mostram os rankings do Banco Mundial.

Análise FORTIS: A postura de Haddad é típica da esquerda quando está em desvantagem nas pesquisas. Ao pedir 'moderação', na verdade tenta silenciar críticas ao seu plano de aumentar impostos e ao histórico de corrupção do PT. Dados do Datafolha de agosto indicam que 62% dos eleitores consideram a economia o principal problema do país, e 55% acreditam que o governo federal gasta mal. Haddad ignora esses números e apela para o emocional. Já Tarcísio comete o erro oposto: abandona o discurso liberal para não perder votos do funcionalismo público e de setores sindicalizados. O governador sabe que a privatização da Sabesp reduziu tarifas em 12% e melhorou o abastecimento em cidades do interior, mas prefere não falar sobre isso. É uma covardia política que enfraquece o campo conservador.

Contraponto: Defensores de Haddad argumentam que o candidato tenta construir uma ponte com o centro político, essencial para governabilidade. Já a equipe de Tarcísio afirma que o governador 'não foge do debate, apenas prioriza outros temas como segurança e educação'. O problema é que segurança e educação dependem de recursos que o Estado não tem — justamente porque insiste em manter empresas ineficientes. Enquanto isso, o mercado financeiro reage mal: o dólar fechou a semana a R$ 5,80, pressionado pela incerteza fiscal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.