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Hackers roubaram US$ 6,3 bi em criptomoedas, estima Binance; Brasil é um dos alvos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-30

Levantamento da Binance aponta que criminosos virtuais podem ter roubado US$ 6,3 bilhões em criptomoedas apenas em 2025. O Brasil aparece como um dos principais alvos, com golpes que usam engenharia social e inteligência artificial.

**Lead**

A exchange de criptomoedas Binance estima que hackers tenham roubado US$ 6,3 bilhões em ativos digitais em todo o mundo apenas em 2025, com o Brasil entre os países mais atingidos. O número, apresentado em relatório da empresa obtido pela imprensa internacional, indica um aumento expressivo dos crimes digitais no setor, que passou a ser alvo de organizações criminosas cada vez mais sofisticadas. O estudo sugere que grande parte das perdas ocorreu não por invasões técnicas às corretoras, mas por golpes contra usuários comuns, especialmente por meio de engenharia social, aplicativos maliciosos e deepfakes criados com inteligência artificial.

**Contexto**

O levantamento da Binance foi divulgado como parte das ações da empresa para mapear ameaças e tentar conter a onda de fraudes que atinge o ecossistema cripto. Segundo o relatório, os criminosos estão abandonando ataques diretos a grandes exchanges e migrando para estratégias mais lucrativas e difíceis de rastrear: o roubo de chaves privadas, a manipulação de vítimas para aprovar transações falsas e a instalação de programas espiões em dispositivos móveis.

O Brasil aparece como um dos focos da operação criminosa. A combinação de alta adoção de criptomoedas, grande número de usuários iniciantes e forte presença em redes sociais torna o país um ambiente fértil para golpes. Autoridades brasileiras já registraram um avanço de denúncias envolvendo promessas de rendimento fácil, links falsos de corretoras e perfis fraudulentos de influenciadores. A própria Binance, em parceria com forças policiais, tem auxiliado investigações que resultaram na recuperação de ativos e na identificação de suspeitos.

O valor estimado de US$ 6,3 bilhões não representa necessariamente o total de recursos irrecuperáveis. Na avaliação da exchange, parte dos valores roubados pode ser congelada por meio de rastreamento em blockchains, desde que as vítimas denunciem rapidamente. No entanto, a maior parte dos fundos é convertida em stablecoins ou transferida para carteiras de difícil rastreamento, o que dificulta a recuperação.

**Analise**

O crescimento dos roubos de criptomoedas escancara uma mudança no perfil do crime digital. Em vez de derrubar sistemas de segurança de corretoras — algo cada vez mais difícil —, os hackers passaram a atacar o elo mais frágil da cadeia: o usuário. Com o uso de IA, golpistas conseguem clonar vozes e criar vídeos falsos para enganar até pessoas com certa experiência em tecnologia. A tendência é que esse tipo de ataque se intensifique, exigindo uma resposta coordenada de exchanges, bancos centrais e forças policiais.

No Brasil, o impacto econômico e social é especialmente relevante. Muitas famílias investiram em moedas digitais nos últimos anos, atraídas pela promessa de proteção contra a inflação e por altos retornos em momentos de valorização. Quando um golpe é aplicado, o prejuízo vai além do valor monetário: compromete a confiança no mercado e afasta potenciais investidores. Especialistas em segurança recomendam que os usuários adotem medidas básicas, como ativar a autenticação de dois fatores, nunca compartilhar chaves privadas e desconfiar de ofertas que prometem lucro garantido.

A estimativa da Binance também pressiona as autoridades brasileiras a aperfeiçoarem seus mecanismos de investigação. Projetos de lei que regulam a prestação de serviços de ativos virtuais já estão em discussão, e a cooperação internacional é vista como essencial para desarticular as redes criminosas. A blockchain, apesar de ser usada por criminosos, também é uma aliada: todas as transações ficam registradas e podem ser investigadas com as ferramentas certas.

**Fontes**

As informações sobre a estimativa de US$ 6,3 bilhões e a análise sobre o Brasil foram baseadas em relatórios públicos da Binance e em reportagens da imprensa internacional e brasileira especializada em criptoativos. A matéria também se apoia em comunicados de autoridades policiais brasileiras sobre operações de combate a fraudes digitais, sem depender de fontes anônimas ou informações não verificadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.