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Em uma declaração que repercutiu nos bastidores da política nacional, a ativista e ex-candidata a deputada federal Grassi rejeitou formalmente o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cobrou do senador Flávio a apresentação de propostas concretas para a proteção animal no Brasil. O episódio ocorreu durante um seminário sobre bem-estar animal realizado em Brasília, na última quarta-feira, e expõe as tensões entre setores da esquerda e movimentos de defesa dos animais.
**Contexto**
Grassi, conhecida por sua atuação em causas ambientais e de direitos animais, foi candidata nas eleições de 2022 e 2024, sempre com uma plataforma focada em políticas de proteção à fauna. Nos últimos meses, ela vinha sendo cortejada por lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT), que buscavam ampliar a base de apoio entre eleitores progressistas. Lula, em particular, teria oferecido seu endosso público para a próxima campanha de Grassi, em troca de alinhamento político. No entanto, a ativista recusou a oferta, argumentando que o ex-presidente e seu partido não apresentaram avanços significativos na agenda animal durante seus mandatos.
A cobrança direcionada a Flávio, por sua vez, ocorre em um momento em que o senador — figura influente no Congresso — tem sido apontado como potencial articulador de uma frente parlamentar em defesa dos animais. Grassi afirmou que, até o momento, não viu propostas legislativas concretas vindas do gabinete de Flávio, apenas discursos genéricos. “Não aceito apoio vazio. Quero ver projetos de lei, emendas orçamentárias e compromissos firmes. O Brasil precisa de uma política nacional de proteção animal, e não de palanques eleitorais”, declarou Grassi, em vídeo que circulou nas redes sociais.
**Análise**
A recusa de Grassi em aceitar o apoio de Lula sinaliza uma fragmentação dentro do campo progressista, onde pautas identitárias e setoriais ganham cada vez mais autonomia. A proteção animal, antes vista como tema secundário, tornou-se um divisor de águas entre eleitores jovens e urbanos, que exigem posicionamentos claros dos políticos. Lula, que historicamente priorizou questões sociais e econômicas, agora enfrenta a pressão de nichos que não se sentem representados por sua agenda tradicional. A postura de Grassi pode inspirar outros ativistas a romperem com alianças partidárias em nome de causas específicas.
A cobrança a Flávio também revela a insatisfação com a lentidão do Legislativo em tratar de temas como maus-tratos, abandono e tráfico de animais silvestres. Embora existam projetos em tramitação, como o que proíbe a criação de animais para extração de peles e o que endurece penas para crimes contra a fauna, a maioria esbarra em interesses econômicos e na falta de prioridade política. Grassi, ao exigir propostas concretas, coloca Flávio em uma posição delicada: se ele não apresentar um plano robusto, perderá capital político com esse eleitorado; se o fizer, poderá enfrentar resistência de setores ruralistas e da indústria agropecuária.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações públicas de Grassi em suas redes sociais oficiais, de registros do seminário realizado em Brasília e de reportagens de veículos como UOL e G1, que cobriram o evento. Não foram utilizadas fontes anônimas ou entrevistas exclusivas. A posição de Lula e de Flávio sobre o tema foi consultada em notas oficiais de suas assessorias, que até o fechamento desta edição não haviam se manifestado.
Por Renan Filho · 2026-10-15