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Economia

Governo zera imposto sobre minerais para 2027: medida visa estimular setor

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

O governo brasileiro anunciou a eliminação total do imposto sobre a exportação de minerais a partir de 2027, em uma medida que busca impulsionar a competitividade do setor e atrair investimentos. A decisão foi divulgada em comunicado oficial e já gera reações entre entidades do ramo e especialistas em economia.

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O governo brasileiro anunciou a zeragem do imposto sobre a exportação de minerais para o ano de 2027, eliminando completamente a tributação atualmente incidente sobre a saída de recursos minerais do país. A medida foi apresentada como parte de uma estratégia de fortalecimento do setor mineral e de aumento da competitividade internacional do Brasil, em um momento de retomada da demanda global por commodities. A decisão foi comunicada por meio de nota oficial e já começa a ser debatida por representantes da indústria e analistas econômicos.

**Contexto**

O setor mineral brasileiro é um dos pilares da economia nacional, responsável por uma parcela significativa das exportações e pela geração de empregos diretos e indiretos em diversas regiões do país. A tributação sobre a exportação de minerais, que variava conforme o tipo de minério e as condições de mercado, sempre foi alvo de controvérsias. Enquanto alguns argumentam que os impostos são necessários para compensar a exploração de recursos não renováveis e financiar políticas públicas, outros apontam que a carga tributária elevada reduz a competitividade do Brasil frente a outros grandes produtores, como Austrália, Chile e Indonésia.

Nos últimos anos, o debate sobre a reforma tributária do setor ganhou força, com discussões sobre a simplificação de alíquotas e a criação de incentivos para a industrialização local dos minerais. A decisão de zerar o imposto para 2027 representa um passo ousado nessa direção, alinhando-se a tendências observadas em outros países que buscam atrair investimentos estrangeiros e ampliar sua participação no mercado global de minérios. A medida, no entanto, não foi acompanhada de detalhes sobre possíveis compensações fiscais ou mecanismos de estímulo à agregação de valor no território nacional.

Organizações do setor, como associações de mineração e câmaras de comércio, já manifestaram apoio à iniciativa, destacando o potencial de atrair novos projetos de exploração e ampliar a produção de minerais estratégicos, como minério de ferro, cobre, lítio e terras raras. Por outro lado, entidades ambientalistas e setores da sociedade civil expressaram preocupação com a possível intensificação da atividade extrativista sem contrapartidas ambientais ou sociais claras. O governo, até o momento, não detalhou eventuais medidas complementares para mitigar esses riscos.

Especialistas apontam que a zeragem do imposto pode ter efeitos positivos sobre a balança comercial brasileira, especialmente em um cenário de alta demanda global por minerais essenciais para a transição energética. O Brasil possui enormes reservas de lítio, por exemplo, mineral-chave para baterias de veículos elétricos, e a eliminação do imposto pode acelerar investimentos nesse segmento. No entanto, a perda de arrecadação federal com a medida precisará ser compensada por outras fontes de receita, o que pode gerar tensões no orçamento público.

**Análise**

A decisão de zerar o imposto sobre a exportação de minerais para 2027 sinaliza uma mudança na política econômica do governo em relação ao setor extrativo. Ao eliminar a tributação, o governo aposta que o aumento do volume exportado e a atração de investimentos estrangeiros diretos serão suficientes para gerar benefícios econômicos que superem a perda imediata de receita tributária. Essa lógica se baseia na teoria de que a redução de barreiras fiscais pode estimular a produção e, indiretamente, ampliar a arrecadação por meio de outros tributos, como o Imposto de Renda das empresas mineradoras.

No entanto, a medida também levanta questões sobre a soberania nacional sobre os recursos minerais e a distribuição dos benefícios da exploração. A ausência de um imposto de exportação pode significar que uma parcela maior da renda gerada pela mineração seja apropriada por empresas estrangeiras, muitas delas com operações globais. Para críticos, a zeragem representa um enfraquecimento do poder do Estado de extrair renda de recursos não renováveis, que são finitos e pertencem à União. Além disso, a medida pode criar pressão para que outros tributos, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual, sejam também reduzidos, gerando uma corrida fiscal entre os entes federativos.

O impacto ambiental é outro ponto central. A mineração é uma atividade intrinsecamente impactante, com potenciais danos a ecossistemas, comunidades tradicionais e recursos hídricos. A zeragem do imposto, sem a imposição de contrapartidas ambientais robustas, pode ser interpretada como um incentivo à expansão desordenada da atividade. Organizações não governamentais já cobram a criação de um fundo ambiental vinculado à mineração, que poderia ser financiado com parte da arrecadação perdida. O governo, porém, não apresentou planos nesse sentido.

Em termos de tendências internacionais, o Brasil se alinha a países como a Austrália, que adota baixa tributação sobre exportação de minérios, mas difere de nações como a Indonésia, que recentemente impôs restrições à exportação de minérios brutos para forçar a industrialização local. A estratégia brasileira parece privilegiar a atração de capital estrangeiro e o aumento imediato das exportações, em detrimento de uma política de agregação de valor. Resta saber se o mercado responderá com investimentos em beneficiamento e processamento mineral no país, o que poderia gerar empregos de maior qualificação e renda.

**Fontes**

A informação foi obtida junto a fontes oficiais do governo brasileiro, por meio de comunicado divulgado pelo Ministério da Economia. Dados complementares sobre o setor mineral foram consultados em relatórios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Análises de especialistas em tributação e economia de recursos naturais foram consideradas para contextualizar o impacto da medida. Não foram utilizadas entrevistas ou declarações atribuídas a indivíduos específicos, em conformidade com as diretrizes editoriais do FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.