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Economia

Governo Lula reserva R$ 800 milhões para reajuste de residentes: mais gasto sem contrapartida de eficiência?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

O governo federal destinou R$ 800 milhões no Orçamento de 2027 para reajustar as bolsas de residentes médicos e multiprofissionais. A medida, embora atenda a uma demanda antiga da categoria, levanta dúvidas sobre a prioridade fiscal e a falta de reformas estruturais na saúde pública.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reservou R$ 800 milhões no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 para reajustar as bolsas de residência médica e multiprofissional. O valor, segundo o texto enviado ao Congresso Nacional no último dia 15, seria suficiente para elevar a bolsa atual de R$ 3.330,00 para aproximadamente R$ 4.500,00 mensais, um aumento de 35%.

A medida atende a uma reivindicação histórica de associações de residentes, que há anos denunciam o congelamento do valor desde 2019, durante o governo Bolsonaro. Na época, a bolsa era de R$ 3.330,00 e, com a inflação acumulada de mais de 30% no período, o poder de compra dos profissionais caiu drasticamente. Dados da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR) indicam que 70% dos residentes consideram a bolsa insuficiente para cobrir despesas básicas, como aluguel e alimentação.

Por que isso importa? Em um cenário de déficit fiscal crescente — a dívida pública bruta já ultrapassa 78% do PIB —, a alocação de R$ 800 milhões para esse fim pode ser vista como um alívio para a categoria, mas contrasta com cortes em áreas estratégicas. O próprio Ministério da Saúde, em nota técnica divulgada em setembro, admitiu que o reajuste não está acompanhado de metas de produtividade ou de ampliação do número de vagas. Atualmente, o Brasil forma cerca de 12 mil médicos residentes por ano, mas mais de 40% deles migram para o setor privado ou para o exterior após o término da residência, segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Análise FORTIS: Sob a ótica liberal-conservadora, a iniciativa é um paliativo que não enfrenta os problemas estruturais do sistema de saúde brasileiro. O governo gasta mais, mas não entrega melhores serviços. O SUS sofre com má gestão, filas gigantescas e desperdício de recursos — estima-se que até 30% do orçamento da saúde seja perdido em fraudes, ineficiências e superfaturamento, conforme auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU). Reajustar a bolsa sem vincular o aumento a contrapartidas, como permanência em regiões carentes ou aumento da carga horária assistencial, é repetir o padrão histórico de gastar mal. Além disso, o valor de R$ 4.500 ainda está abaixo do piso salarial de outras carreiras de nível superior no setor público, como analistas do Tesouro Nacional (que ganham acima de R$ 10 mil), o que indica que o reajuste, embora significativo, pode não ser suficiente para reter talentos.

Contraponto: Defensores da medida argumentam que o reajuste é urgente para evitar a evasão de profissionais e para recompor perdas inflacionárias. Em declaração à imprensa, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que “a valorização da residência é essencial para a formação de especialistas que atenderão a população nas regiões mais remotas”. Dados do Ministério da Educação mostram que o número de inscrições para residência médica caiu 12% entre 2020 e 2025, o que sugere que a baixa atratividade da bolsa é um fator real. Ainda assim, a crítica persiste: sem reformas na gestão do SUS, o aumento salarial pode se tornar apenas mais um custo sem retorno em qualidade.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.