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O governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), ingressou nesta segunda-feira com uma representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Polícia Federal contra a Meta Platforms, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp. O órgão alega que a empresa falhou de forma sistemática na moderação de conteúdo durante o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, o que teria prejudicado a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido pede a apuração de eventuais práticas abusivas que possam ter configurado interferência no processo democrático.
**Contexto**
O embate entre o governo brasileiro e as grandes plataformas digitais não é novo. Desde as eleições de 2018, o país debate a responsabilidade das redes sociais na propagação de desinformação e discursos de ódio. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a suspensão temporária do X (antigo Twitter) após descumprimento de ordens judiciais relacionadas ao combate à desinformação. Naquele mesmo ano, o Congresso Nacional retomou com força a tramitação do chamado Projeto de Lei das Fake News, que impõe obrigações mais rígidas às plataformas. A Meta, por sua vez, já foi alvo de ações no Brasil por permitir anúncios fraudulentos e perfis falsos que simulavam figuras públicas. No período eleitoral de 2026, a AGU afirma ter identificado um aumento expressivo de conteúdos enganosos direcionados contra a candidatura do atual presidente, incluindo deepfakes, vídeos adulterados e impulsionamento pago de ataques sem a devida rotulagem. A representação cita relatórios de monitoramento da própria Justiça Eleitoral que apontariam a lentidão ou ausência de remoção de postagens consideradas ilícitas pela legislação brasileira. Embora a Meta tenha implementado, em anos anteriores, salas de situação para acompanhar o pleito e parcerias com agências de checagem, o governo sustenta que as medidas foram insuficientes diante do volume de violações detectadas.
Segundo fontes da AGU, o pedido de apuração não se limita às eleições presidenciais, mas também abrange as campanhas para governos estaduais e o Congresso Nacional, que ocorreram simultaneamente. Os técnicos do órgão afirmam ter coletado dezenas de exemplos de anúncios e publicações que violaram as políticas internas da Meta e a legislação eleitoral brasileira, sem que a empresa tomasse providências em tempo hábil. O documento encaminhado às autoridades destaca que, em diversos casos, a plataforma só agiu após decisões judiciais específicas, contrariando o princípio da autorregulação que a própria Meta defende internacionalmente. A AGU também questiona a eficácia dos sistemas de inteligência artificial usados para moderar conteúdo em português, sugerindo que o treinamento dos algoritmos para o idioma é inferior ao aplicado em mercados como Estados Unidos e Europa. O governo lembra que, durante a campanha, houve episódios em que contas de apoiadores do presidente foram suspensas por denúncias infundadas, enquanto perfis que disseminavam desinformação contra a chapa governista permaneceram ativos por dias sem qualquer punição.
**Análise**
Especialistas em direito digital ouvidos pelo FORTIS NEWS avaliam que a ação do governo Lula representa um teste decisivo para o marco regulatório das plataformas no Brasil, especialmente em ano eleitoral. Embora o pedido de apuração não tenha, por si só, efeito suspensivo sobre os serviços da Meta, ele pode acelerar a tramitação de projetos de lei que impõem maior transparência sobre algoritmos e moderação. O caso também coloca pressão sobre o TSE, que já vinha adotando medidas mais rigorosas contra a desinformação. Para a campanha de reeleição, o timing é estratégico: ao acionar a Justiça, o governo sinaliza ao eleitorado que está disposto a enfrentar o que considera abusos do poder econômico e tecnológico, ao mesmo tempo que tenta compensar eventuais danos de imagem causados pela desinformação. Por outro lado, críticos apontam que a iniciativa pode ser interpretada como uma tentativa de responsabilizar terceiros por fragilidades da própria comunicação governamental, além de gerar um ambiente de incerteza para investimentos estrangeiros no setor de tecnologia.
A ação também reacende o debate sobre a soberania digital brasileira. Enquanto a Meta argumenta que segue as leis locais e mantém equipes dedicadas ao Brasil, o governo defende que as falhas são estruturais e exigem uma regulação mais forte. Caso o TSE ou a Polícia Federal decidam aprofundar a investigação, a Meta pode ser convocada a depor e a apresentar dados internos sobre moderação e impulsionamento de conteúdo. O desfecho desse caso pode influenciar não apenas as eleições futuras, mas também a forma como as big techs operam no país, abrindo precedentes para multas significativas ou até mesmo a suspensão temporária de serviços durante períodos eleitorais. O governo Lula aposta que a pressão judicial forçará a empresa a revisar seus protocolos antes do segundo turno, marcado para daqui a três semanas.
**Fontes**
- Advocacia-Geral da União (AGU). Representação protocolada em 18 de outubro de 2026. - Relatórios de monitoramento de conteúdo da Justiça Eleitoral (TSE) referentes ao mês de outubro de 2026. - Decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre moderação de conteúdo e suspensão de plataformas digitais (2024-2026). - Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições) e Projeto de Lei 2630/2020 (PL das Fake News), em tramitação no Congresso Nacional. - Entrevistas anônimas com técnicos da AGU e especialistas em direito digital (identidades preservadas).
Por Renan Filho · 2026-10-18