**Lead**
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, enviou nesta quinta-feira um ofício à Polícia Federal pedindo a abertura de investigação contra a Meta, conglomerado que controla Facebook, Instagram e WhatsApp. A solicitação aponta falhas técnicas nos algoritmos e na moderação de conteúdo da empresa que teriam interferido diretamente na campanha de candidatos à reeleição em entidades esportivas do Brasil, como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). As supostas irregularidades ocorreram entre setembro e outubro deste ano, período de intensa movimentação eleitoral nas federações esportivas.
**Contexto**
As eleições nas confederações esportivas brasileiras, especialmente na CBF e no COB, são momentos de grande disputa política e econômica. Em 2026, diversos dirigentes buscavam a reeleição com base em plataformas de modernização e transparência, utilizando as redes sociais como principal canal de comunicação com clubes, atletas e torcedores. Entretanto, relatos de que postagens de candidatos da situação foram suprimidas ou tiveram alcance reduzido de forma incomum começaram a circular entre os bastidores. A denúncia formal partiu da Secretaria Nacional de Esporte, vinculada ao Ministério do Esporte, que afirma ter recebido dezenas de queixas de assessores de campanha.
De acordo com o ofício obtido pela reportagem, a Meta teria aplicado restrições desproporcionais a perfis oficiais de candidatos, alegando violações de políticas de conteúdo, mas sem critérios claros. Em paralelo, anúncios pagos teriam sido rejeitados sem explicação, enquanto páginas de adversários mantinham funcionamento normal. A situação gerou protestos públicos de dirigentes como o presidente da CBF, que acusou a empresa de agir com parcialidade. A Meta, por sua vez, negou qualquer tratamento diferenciado e afirmou que as falhas são decorrentes de atualizações automáticas de sistemas.
O governo Lula, que já havia criticado a concentração de poder das big techs, viu no episódio uma oportunidade de reforçar a defesa da soberania digital. A ação também é vista como uma resposta à recente decisão da Meta de reduzir a equipe de moderação no Brasil, o que, segundo críticos, facilitaria a disseminação de desinformação. O Ministério da Justiça solicitou à PF que investigue se houve conduta dolosa ou negligência grave por parte da empresa.
**Análise**
O pedido de investigação contra a Meta acende um alerta sobre o papel das plataformas digitais na democracia interna do esporte brasileiro. As confederações esportivas movimentam bilhões de reais e têm grande influência política, e a dependência das redes sociais para campanhas torna qualquer interferência técnica um risco à lisura do processo eleitoral. Especialistas em direito digital apontam que, se comprovada a manipulação, a Meta poderá enfrentar sanções severas, como multas e até a suspensão temporária de serviços no Brasil, o que já ocorre em casos de descumprimento de ordens judiciais.
Para o setor esportivo, a situação pode trazer consequências imediatas. A CBF, por exemplo, tem assembleia geral marcada para novembro, e a incerteza sobre a validade das comunicações digitais já levou alguns clubes a pedir o adiamento da votação. Caso a investigação confirme as falhas, o governo pode propor uma legislação específica para regular campanhas eleitorais esportivas em ambientes digitais, algo inédito no país. A Meta, que enfrenta pressão global de governos sobre moderação e transparência, vê no Brasil um novo front de disputa.
**Fontes**
Fontes: Ministério da Justiça e Segurança Pública, Secretaria Nacional de Esporte, reportagem da Agência Brasil e comunicados oficiais da Meta.
Por Renan Filho · 2026-10-18