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Cultura

Governo Lula avalia que Trump só enviará proposta de negociação de tarifas após eleições no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Integrantes do Palácio do Planalto consideram que o ex-presidente norte-americano aguardará o resultado do pleito de 2026 para retomar negociações comerciais, prolongando incertezas sobre tarifas.

**Lead**

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia, com base em interlocuções diplomáticas recentes, que o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump só deverá apresentar uma proposta formal de negociação sobre tarifas comerciais após a conclusão das eleições brasileiras deste ano. A percepção, compartilhada por assessores do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores, é de que Trump prefere aguardar o cenário político nacional para definir sua estratégia de barganha, evitando movimentos que possam ser interpretados como interferência no processo eleitoral brasileiro.

**Contexto**

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa um período de tensões desde o retorno de Trump à Casa Branca em 2025. Durante sua campanha e primeiros meses de mandato, Trump reiterou a disposição de impor tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, especialmente nos setores siderúrgico, agrícola e de manufaturados. Em contrapartida, o governo Lula adotou uma postura de espera, apostando na negociação direta e na diversificação de parceiros comerciais, como China e União Europeia.

Em abril de 2026, Trump sinalizou, por meio de declarações públicas e canais diplomáticos, a intenção de abrir um canal de negociação com o Brasil. No entanto, até o final de setembro, nenhuma proposta concreta foi apresentada. Fontes do Itamaraty indicam que o governo brasileiro interpretou a demora como uma tática deliberada: Trump quer ver o desfecho das eleições presidenciais brasileiras — marcadas para 4 de outubro de 2026 — para ajustar sua oferta conforme o perfil do eventual vencedor.

Pesquisas eleitorais recentes mostram uma disputa acirrada entre o candidato a reeleição Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que lidera segmentos do eleitorado alinhados a políticas protecionistas. A equipe econômica do governo brasileiro acredita que, se Bolsonaro vencer, Trump tenderá a apresentar condições mais duras, explorando a afinidade ideológica entre ambos. Caso Lula seja reeleito, a expectativa é de que Trump busque um acordo mais equilibrado, ainda que com exigências pontuais.

**Análise**

A demora na apresentação da proposta norte-americana coloca o Brasil em uma posição de incerteza que afeta setores produtivos. Exportadores de aço, carne e suco de laranja — que dependem do mercado americano — convivem com a instabilidade tarifária desde 2025, acumulando prejuízos. A avaliação do governo brasileiro é de que Trump não tem incentivo para acelerar o processo, pois o impasse fortalece sua imagem de negociador duro perante sua base interna, enquanto enfraquece o governo Lula que não consegue garantir previsibilidade para o comércio bilateral.

A estratégia da equipe do presidente brasileiro, conforme apurado com assessores palacianos, é tentar isolar o tema tarifário das discussões eleitorais, mas sem sucesso. O próprio Lula tem evitado falar sobre o assunto em campanha, com medo de soar alarmista. Nos bastidores, porém, o governo já prepara cenários de contingência, como a abertura de novos mercados na Ásia e na África, além de estímulos à substituição de importações.

A análise de especialistas em comércio internacional sugere que Trump pode usar as tarifas como ferramenta de pressão geopolítica, condicionando a abertura de negociações a concessões brasileiras em áreas como compra de gás natural liquefeito americano ou alinhamento em pautas ambientais. O governo Lula, por sua vez, resiste a qualquer acordo que viole seus compromissos climáticos ou que aumente a dependência energética dos Estados Unidos.

**Fontes**

As informações foram obtidas junto a fontes diplomáticas e assessores do Palácio do Planalto que acompanham as negociações comerciais com os Estados Unidos. As avaliações sobre a estratégia de Donald Trump baseiam-se em conversas reservadas com representantes norte-americanos e na análise de pronunciamentos públicos do ex-presidente. Nenhuma das fontes autorizou a divulgação de seus nomes. O Itamaraty não se pronunciou oficialmente sobre o tema.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.