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O governo federal conseguiu, na noite desta terça-feira, o apoio de partidos da base aliada e de parlamentares de centro para aprovar o projeto de lei que extingue a escala de trabalho 6×1 — modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga um. A votação está confirmada para esta quarta-feira no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. A proposta, que tramita em regime de urgência, deve alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e estabelecer um novo padrão mínimo de descanso semanal.
**Contexto**
A escala 6×1 é uma das mais comuns no comércio, na indústria e em serviços como segurança e limpeza. Críticos apontam que o modelo reduz a qualidade de vida dos trabalhadores, dificulta o convívio familiar e aumenta o desgaste físico e mental. Sindicatos e movimentos sociais pressionam há anos por uma mudança, argumentando que a jornada de seis dias seguidos é incompatível com a dignidade do trabalhador.
O projeto em discussão prevê que, a partir da aprovação, a jornada semanal máxima passe a ser de cinco dias de trabalho para dois de descanso, com possibilidade de acordos coletivos que flexibilizem a distribuição, desde que respeitado o limite de 44 horas semanais. A medida não altera o total de horas trabalhadas por semana, apenas a forma como são distribuídas.
Nos últimos meses, o governo intensificou as negociações com lideranças partidárias para garantir os votos necessários. A articulação foi liderada pela Casa Civil e pelo Ministério do Trabalho, que apresentaram estudos sobre os impactos econômicos e sociais. Empresários do setor de comércio e serviços manifestaram preocupação com possíveis aumentos de custos operacionais, mas o governo argumenta que a produtividade pode ser compensada com melhorias na saúde do trabalhador.
A oposição, por sua vez, tentou adiar a votação, mas não conseguiu reunir número suficiente de assinaturas para obstruir a pauta. Partidos de centro, que inicialmente resistiam, cederam após ajustes no texto que garantem prazo de adaptação para micro e pequenas empresas.
**Análise**
A aprovação do fim da escala 6×1 representa uma vitória política significativa para o governo, que vinha enfrentando dificuldades para avançar sua agenda trabalhista. A medida atende a uma demanda histórica de centrais sindicais e pode fortalecer a base eleitoral do governo entre trabalhadores formais. Por outro lado, a reforma impõe desafios de adaptação para setores que dependem de escalas contínuas, como hospitais, transportes e segurança privada.
Do ponto de vista econômico, a transição para o modelo 5×2 pode gerar ganhos de produtividade no médio prazo, conforme sugerem estudos internacionais sobre redução de jornada sem redução de salário. No entanto, especialistas alertam que o impacto imediato pode ser sentido em setores com margens apertadas, que precisarão reorganizar turnos e, eventualmente, contratar mais funcionários.
Politicamente, a votação desta quarta-feira será um teste de fogo para a capacidade de articulação do governo no Congresso. Se aprovado, o projeto seguirá para o Senado, onde a tramitação deve ser mais rápida devido ao regime de urgência já acordado com lideranças daquela Casa. A expectativa é que a nova regra entre em vigor em até 180 dias após a sanção presidencial.
**Fontes**
As informações foram obtidas junto a lideranças partidárias na Câmara dos Deputados, comunicados oficiais da Casa Civil e do Ministério do Trabalho, além de reportagens de veículos como Agência Câmara, Agência Brasil e G1. Dados sobre a escala 6×1 foram extraídos de estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por Renan Filho · 2026-10-13