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O governo federal arrecadou R$ 11,1 bilhões com a tributação de apostas esportivas e jogos online (bets) entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Fazenda. O montante supera as projeções iniciais da equipe econômica e representa um incremento significativo na receita tributária, em meio ao processo de regulamentação do setor que começou a vigorar plenamente no ano passado.
**Contexto**
A arrecadação recorde é fruto da Lei 14.790/2023, que estabeleceu o marco regulatório das apostas de quota fixa no Brasil, e das normas complementares editadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Desde a entrada em vigor das regras, as empresas operadoras de bets são obrigadas a recolher impostos federais como PIS, Cofins, CSLL e IRPJ, além de uma taxa de outorga para exploração da atividade. A alíquota efetiva sobre a receita bruta das plataformas gira em torno de 12% a 16%, dependendo do regime tributário.
O valor de R$ 11,1 bilhões inclui tanto os tributos pagos pelas empresas quanto a contribuição de 30% sobre o Imposto de Renda retido na fonte dos prêmios pagos aos apostadores. A Receita Federal estima que cerca de 70% desse total tenha origem nas apostas esportivas, enquanto os 30% restantes vêm de jogos online, como caça-níqueis virtuais e roleta. O número de empresas autorizadas a operar no país chegou a 218 em setembro, segundo o Ministério da Fazenda, com destaque para grandes grupos internacionais que migraram suas operações para o ambiente regulado.
Antes da regulamentação, o mercado de bets operava em uma zona cinzenta, sem tributação efetiva e com pouca fiscalização. A mudança legal não apenas gerou nova fonte de receita, mas também permitiu ao governo monitorar fluxos financeiros e combater a lavagem de dinheiro. Dados do Banco Central indicam que o volume de transações financeiras ligadas a apostas cresceu 40% em 2026 em comparação com o ano anterior, atingindo R$ 150 bilhões no período.
**Análise**
A arrecadação de R$ 11,1 bilhões em nove meses coloca as bets como um dos setores que mais contribuem para o aumento da receita tributária federal em 2026. Para efeito de comparação, o valor equivale a aproximadamente 0,2% do PIB brasileiro e supera a arrecadação total de impostos sobre bebidas alcoólicas no mesmo período. Especialistas em finanças públicas apontam que, se mantido o ritmo, o governo pode fechar o ano com uma receita entre R$ 14 bilhões e R$ 15 bilhões apenas com o setor de apostas.
No entanto, o crescimento da arrecadação também levanta debates sobre os impactos sociais da expansão das bets. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o endividamento de famílias de baixa renda aumentou em regiões com maior concentração de apostadores. O governo federal anunciou, em setembro, a criação de um fundo de prevenção ao vício em jogos, financiado com parte dos recursos arrecadados. A medida busca equilibrar o ganho fiscal com a responsabilidade social.
Outro ponto de atenção é a sustentabilidade da arrecadação a longo prazo. O mercado de bets é volátil e depende de eventos esportivos sazonais, como a Copa do Mundo e campeonatos nacionais. A Receita Federal já estuda a ampliação da base tributária para incluir apostas em eventos não esportivos, como reality shows e eleições, o que poderia elevar ainda mais a receita. Por ora, o governo comemora o resultado, mas mantém cautela quanto à dependência desse novo tributo.
**Fontes**
- Ministério da Fazenda – Secretaria de Prêmios e Apostas - Receita Federal do Brasil – Dados de arrecadação tributária - Banco Central do Brasil – Estatísticas de transações financeiras - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – Estudos sobre impacto social das apostas
Por Renan Filho · 2026-10-22