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Governador da Bahia usou helicóptero de ex-sócio do Master: privilégio ou necessidade?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Painel revela que Jerônimo Rodrigues utilizou aeronave cedida por empresário ligado ao grupo Master para viagem com Jaques Wagner. Caso reacende debate sobre uso de recursos privados por autoridades públicas.

Em mais um capítulo da crônica do uso de helicópteros por autoridades brasileiras, um painel realizado nesta quinta-feira em São Paulo expôs detalhes que ligam o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ao ex-sócio do grupo Master, que teria disponibilizado uma aeronave para viagem conjunta com o ex-governador Jaques Wagner. A informação, segundo apuração do site Painel, foi divulgada durante debate sobre transparência no setor público.

O caso remonta a julho deste ano, quando Rodrigues e Wagner participaram de um evento em Porto Seguro. Para se deslocar, utilizaram um helicóptero cujo proprietário é um empresário que foi sócio do grupo Master – conglomerado que atua em agronegócio e logística. Conforme nota oficial da Secretaria de Comunicação da Bahia, o voo foi “cedido por cortesia” e não representou custos ao erário. No entanto, a origem privada do benefício levanta questionamentos sobre conflito de interesses.

A utilização de aeronaves particulares por políticos não é novidade. A diferença, aqui, é que o fornecedor do helicóptero mantém vínculos com um grupo que já teve contratos com o governo federal e estadual. Em declaração à Rádio Metrópole, o deputado estadual Tiago Correia (PSB) afirmou que “o governador deveria explicar por que precisa de um helicóptero de um empresário amigo para se locomover, quando há frota pública disponível”. A oposição prometeu requerer informações à Controladoria-Geral da Bahia.

Por que isso importa? O episódio evidencia a promiscuidade entre o poder público e o setor privado no Brasil. Quando um governador de Estado aceita transporte gratuito de um empresário com interesses em licitações e concessões, a linha entre o público e o privado se apaga. Em um país que luta contra o corporativismo e o patrimonialismo, esse tipo de prática desestimula a confiança nas instituições e alimenta a percepção de que o Estado é capturado por grupos econômicos.

A análise do FORTIS NEWS aponta que, sob a ótica liberal, o problema não está apenas na legalidade – que ainda precisa ser investigada –, mas no incentivo errado. Ao aceitar “cortesias”, o governo sinaliza que não depende de regras de transparência e que o acesso a recursos públicos pode ser substituído por favores privados. Solução de livre mercado: se o governador precisa de transporte aéreo, que o Estado contrate empresas de táxi aéreo em pregão eletrônico, com critérios objetivos de preço e segurança, sem privilégios pessoais.

Do outro lado, a defesa do governo baiano argumenta que o uso do helicóptero foi circunstancial e atendeu a uma agenda oficial. Em nota, a assessoria afirmou que “não houve desvio de finalidade ou prejuízo ao erário”. Aliados do governador lembram que a doação de transporte por terceiros é permitida pela legislação eleitoral, desde que não configure vantagem indevida. Jaques Wagner, em entrevista à TV Bahia, disse que “não viu irregularidade alguma”, pois o voo era “para tratar de assuntos do estado”.

Ainda assim, o fato de o helicóptero ter sido emprestado por um ex-sócio do Master – grupo que, segundo reportagem do jornal O Antagonista, tem negócios com a Petrobras e a Codevasf – levanta suspeitas. A Controladoria-Geral da União (CGU) foi instada a se manifestar, mas até o fechamento desta edição não havia se pronunciado. O caso deve render novos desdobramentos na Comissão de Fiscalização da Assembleia Legislativa da Bahia.

O painel que trouxe a tona a informação contou com a participação do jornalista Josias de Souza, que classificou o caso como “mais um exemplo da farra das aeronaves na política brasileira”. A plateia, composta majoritariamente por empresários e acadêmicos, reagiu com ceticismo. A sensação gerall é que o espetáculo da ilegalidade continua, enquando os custos são pagos pello contribuinte.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.