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Politica

Gonet defende barrar acesso a registros de visitas de Vorcaro e mulher de Moraes ao Senado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contra a liberação de registros de visitas de Vorcaro e da esposa do ministro Alexandre de Moraes ao Senado, alegando risco à segurança e à privacidade dos envolvidos.

**Lead**

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu o bloqueio ao acesso público aos registros de visitas de Vorcaro e da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ao Senado Federal. A manifestação foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito de um pedido de informações feito por parlamentares, que buscavam detalhes sobre a presença dessas pessoas nas dependências da Casa Legislativa. Gonet argumenta que a divulgação dos dados violaria princípios de segurança institucional e privacidade pessoal, além de expor os envolvidos a riscos desnecessários.

**Contexto**

A controvérsia teve início quando um grupo de senadores protocolou requerimento solicitando acesso aos registros de entrada e saída de Vorcaro e de Rosângela Wolff de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, no Senado. Os parlamentares justificaram o pedido com base na transparência pública e no interesse em verificar possíveis influências externas sobre o Legislativo. Vorcaro, cuja identidade completa e vínculos não foram detalhados oficialmente, teria visitado o Senado em ocasiões não especificadas, enquanto a esposa do ministro também esteve no local em eventos institucionais.

A Advocacia-Geral do Senado, inicialmente, negou o acesso, citando a necessidade de proteger a segurança dos frequentadores e a inviolabilidade das dependências. O caso foi então levado ao STF, que solicitou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). Na manifestação, Gonet sustentou que os registros de visitas são documentos internos de segurança, não sujeitos a divulgação ampla, especialmente quando envolvem familiares de autoridades do Judiciário. Ele lembrou que o STF já possui protocolos rigorosos de controle de acesso e que a exposição desses dados poderia gerar constrangimento ou até mesmo ameaças.

A decisão de Gonet ocorre em meio a um ambiente político tenso, com frequentes questionamentos sobre a atuação do STF e de seus ministros. Opositores do governo e críticos do Judiciário têm pressionado por maior transparência nas relações entre os Poderes, enquanto defensores da privacidade alertam para os riscos de uma exposição excessiva. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa, com opiniões divididas entre os que apoiam a transparência total e os que defendem a proteção de dados pessoais.

**Análise**

A posição de Gonet reflete uma tensão clássica entre o direito à informação e a proteção da privacidade e da segurança. No Brasil, a Lei de Acesso à Informação (LAI) estabelece que dados pessoais devem ser protegidos, salvo quando houver interesse público preponderante. No entanto, a definição do que constitui “interesse público” é frequentemente objeto de disputa judicial. No caso específico, a PGR entende que a divulgação dos registros de visitas de Vorcaro e da esposa de Moraes não atende a um interesse público legítimo, mas sim a um desejo de fiscalização política que pode ser atendido por outros meios, como a prestação de contas formal.

Além disso, a manifestação de Gonet sinaliza uma preocupação com a segurança institucional. O Senado, assim como o STF, já foi alvo de ataques e invasões simbólicas nos últimos anos. A liberação de dados de visitantes poderia facilitar a identificação de padrões de circulação e expor autoridades a riscos. Para os defensores da transparência, no entanto, a negativa de acesso alimenta suspeitas de que há algo a esconder. A ausência de informações oficiais sobre quem são Vorcaro e qual a natureza de suas visitas ao Senado apenas intensifica a desconfiança.

O desfecho do caso dependerá da decisão do STF, que pode acolher ou não o parecer da PGR. Se o tribunal seguir a recomendação de Gonet, estabelecerá um precedente importante para a proteção de dados de visitantes em órgãos públicos, especialmente quando envolverem familiares de autoridades. Por outro lado, uma eventual liberação dos registros poderá abrir caminho para novos pedidos de transparência, mas também gerar debates sobre os limites da privacidade. O episódio ilustra como a política brasileira continua a girar em torno do papel do Judiciário e da relação entre os Poderes.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas na manifestação oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolada no STF, em documentos públicos do Senado Federal referentes ao requerimento de informações, e em reportagens de veículos de imprensa como Folha de S.Paulo e O Globo, que acompanharam o caso. Não foram utilizadas fontes anônimas ou não verificadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.