**Lead**
A jogadora brasileira Giovanna Waksman, de 19 anos, tornou-se assunto central no debate esportivo nacional e internacional após ser citada pelo astro argentino Lionel Messi como uma das grandes promessas do futebol para o Brasil. A declaração ocorreu durante entrevista concedida no início de outubro, em evento de patrocinadores em Miami, nos Estados Unidos, e foi rapidamente replicada por veículos esportivos da América do Sul e da Europa. A indicação de Messi, considerado por muitos o maior jogador da história, colocou Giovanna sob os holofotes e reacendeu discussões sobre investimento, visibilidade e estrutura para o futebol feminino no país.
**Contexto**
Natural de São Paulo, Giovanna Waksman começou a jogar futebol aos oito anos em escolinhas da capital paulista. Revelada nas categorias de base do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, foi logo observada por olheiros de clubes de grande porte. Em 2023, transferiu-se para o futebol europeu, integrando as categorias juvenis de um clube da Liga Espanhola. Na temporada 2024-2025, chamou atenção ao marcar gols decisivos em competições sub-19 e ao ser promovida parcialmente ao elenco profissional. O desempenho lhe rendeu convocações para as seleções de base brasileiras, incluindo a participação no Sul-Americano Sub-20, no qual o Brasil conquistou classificação para o Mundial da categoria.
A declaração de Messi, no entanto, ampliou sua projeção muito além do ambiente esportivo. Em um país onde o futebol feminino ainda luta por igualdade de condições em relação ao masculino, o endosso de uma figura global como o camisa 10 da seleção argentina é visto como um marco simbólico. A rápida exposição midiática levantou também questionamentos sobre a pressão precoce que atletas jovens enfrentam quando elevadas ao status de “promessa” antes mesmo de consolidarem carreira profissional. Especialistas em gestão esportiva ouvidos por agências internacionais destacaram que o fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas a cobrança sobre jogadoras brasileiras tende a ser maior diante da tradição nacional de excelência no futebol.
**Análise**
A indicação de Giovanna Waksman por Messi ocorre em um momento de inflexão para o futebol feminino brasileiro. A modalidade vive crescimento expressivo de audiência e patrocínio, mas ainda sofre com desigualdade de investimento, baixa estrutura de base e pouca visibilidade fora de janelas de torneios internacionais. A repercussão do caso evidencia que o reconhecimento de ídolos consagrados pode funcionar como catalisador de atenção midiática, ainda que não resolva, por si só, problemas estruturais históricos. O debate sobre a necessidade de mais investimento em categorias de base femininas, centros de treinamento específicos e salários dignos ganhou novos contornos com a exposição da jovem jogadora.
Para além das quatro linhas, o episódio tem impacto político-institucional relevante. A revelação de talentos femininos é frequentemente usada por diferentes esferas de governo como vitrine de políticas públicas esportivas. No Congresso Nacional, tramitam propostas que visam ampliar recursos para o esporte de base e garantir percentuais mínimos de patrocínio público para equipes femininas. A ascensão de Giovanna, portanto, pode influenciar o debate sobre incentivos fiscais, bolsa-atleta e parcerias com clubes. A visibilidade gerada por uma declaração celebre cria janela de oportunidade para que projetos antes estagnados ganhem tração. Ainda assim, agentes do setor alertam que episódios de comoção midiática precisam ser convertidos em políticas permanentes, sob risco de o futebol feminino seguir refém de ciclos de atenção efêmera.
A influência de atletas consagrados sobre novos talentos não é novidade no esporte, mas a força da declaração pública de Messi, dirigida especificamente a uma jogadora brasileira, atravessa fronteiras esportivas e chega ao debate político. O reconhecimento gera pressão para que o Brasil aproveite o momento e trate a formação de atletas femininas como prioridade estratégica. A joia revelada em São Paulo, ainda no início da carreira, torna-se assim símbolo de um potencial que só se materializará plenamente com políticas sérias de fomento, proteção de talentos e valorização profissional. O episódio reforça que o esporte nacional precisa enxergar o futebol feminino não como apêndice, mas como pilar do desenvolvimento esportivo e social.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em declarações públicas de Lionel Messi durante evento em Miami no início de outubro, repercutidas por veículos internacionais de esporte, e em dados de órgãos de imprensa especializados em futebol feminino. A identificação de Giovanna Waksman como atleta do futebol espanhol, bem como sua convocação para seleções de base brasileiras, foi corroborada por registros públicos de federações nacionais e confederações esportivas.
Por Renan Filho · 2026-10-12