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Política

Gilmar Mendes mantém quebra de sigilo da mulher de miliciano acusada de ‘rachadinha’ no gabinete de Flávio Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Decisão do ministro do STF mantém acesso a dados bancários e fiscais da esposa do ex-PM Adriano da Nóbrega, investigada por suposta participação no esquema de desvio de salários de assessores do então deputado estadual.

**Lead**

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a quebra de sigilo bancário e fiscal da mulher do miliciano Adriano da Nóbrega, alvo de investigação por suposta participação no esquema de ‘rachadinha’ no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. A decisão, proferida em setembro de 2024, rejeitou recurso da defesa que pedia o cancelamento das medidas de busca e apreensão de dados financeiros. O caso faz parte do inquérito que apura a prática de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro no antigo gabinete do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

**Contexto**

A ‘rachadinha’ é uma prática ilegal em que parlamentares exigem parte dos salários de seus assessores como devolução de dinheiro. Flávio Bolsonaro é investigado desde 2018, quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) detectou movimentações atípicas na conta de seu ex-assessor e motorista Fabrício Queiroz. As suspeitas apontam que recursos desviados abasteciam uma rede que incluía familiares de Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado como chefe de milícia na Zona Oeste do Rio e morto em 2020 durante uma operação policial.

A mulher de Adriano – cujo nome não foi divulgado publicamente na decisão – é investigada por ter recebido valores de origem suspeita, supostamente relacionados ao esquema. A defesa dela argumentou que a quebra de sigilo violava o direito à privacidade e que não havia provas concretas de envolvimento. No entanto, Gilmar Mendes entendeu que as medidas são proporcionais e necessárias para o avanço das apurações. O ministro destacou que há indícios de que a esposa do miliciano atuava como intermediária financeira, movimentando recursos que poderiam ter origem nos desvios do gabinete de Flávio.

A investigação corre sob segredo de Justiça, mas trechos da decisão foram obtidos pela imprensa. Nelas, Gilmar Mendes ressalta que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou elementos mínimos de materialidade e indícios de autoria, autorizando a coleta de dados bancários e fiscais do período entre 2017 e 2019, quando Flávio era deputado estadual. O STF já havia autorizado anteriormente a quebra de sigilo do próprio Flávio e de outros envolvidos, como Queiroz e sua esposa.

**Análise**

A manutenção da quebra de sigilo da mulher de Adriano da Nóbrega representa mais um passo na longa investigação que envolve a família Bolsonaro. O caso tem implicações políticas profundas, pois Flávio Bolsonaro é hoje senador da República e figura central na articulação da direita brasileira. Qualquer nova evidência de irregularidades em seu antigo gabinete pode reacender o desgaste político do clã Bolsonaro, especialmente em ano eleitoral.

Juridicamente, a decisão de Gilmar Mendes reforça a tese de que o STF não vê excessos nas medidas de investigação. O ministro, conhecido por sua postura garantista em alguns casos, optou por validar o acesso a dados financeiros, sinalizando que o combate à corrupção e ao crime organizado deve prevalecer quando há indícios sólidos. Isso pode abrir caminho para novas quebras de sigilo de outros familiares e aliados do grupo investigado.

No entanto, críticos apontam que a investigação se arrasta há mais de cinco anos sem conclusão, e que a demora pode enfraquecer a credibilidade do sistema judicial. A defesa de Flávio Bolsonaro sempre negou qualquer participação no esquema, afirmando que as movimentações atípicas foram erros de contabilidade ou empréstimos pessoais. O fato de a mulher de um miliciano estar ligada financeiramente ao caso, contudo, aprofunda as suspeitas de que a ‘rachadinha’ abastecia não apenas o ex-deputado, mas também organizações criminosas.

**Fontes**

A notícia foi baseada na decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, publicada nos autos do inquérito no STF, e em reportagens anteriores de veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e UOL, que acompanham o caso desde 2018. As informações sobre Adriano da Nóbrega e o esquema de ‘rachadinha’ foram extraídas de documentos oficiais do MP-RJ e do COAF.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.