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Gilmar chama Kassio de 'imperador' e acirra crise no TSE; ministros veem risco de Dino afastar presidente da Corte

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Declaração atribuída ao ministro Gilmar Mendes contra Kassio Nunes Marques expõe racha no STF e pode levar Flávio Dino, relator de ações, a determinar o afastamento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

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Uma declaração atribuída ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que teria chamado o colega Kassio Nunes Marques de 'imperador', elevou a tensão nos bastidores da Corte e reacendeu o temor de uma intervenção judicial no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com relatos de interlocutores, a fala ocorreu durante uma reunião reservada e foi interpretada como uma crítica direta à postura de Kassio à frente de processos eleitorais. O episódio ocorre em meio a um cenário de disputas internas no STF, e ministros já avaliam que o relator de ações que tramitam no TSE, Flávio Dino, pode vir a determinar o afastamento do presidente da Corte Eleitoral, medida que teria impacto direto sobre o processo eleitoral brasileiro.

**Contexto**

A relação entre Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques nunca foi das mais cordiais. Ambos integram a ala mais política do STF, mas divergem em temas sensíveis, como a condução de investigações e o papel da Corte na supervisão de eleições. Kassio, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, tem adotado uma postura mais alinhada ao governo atual em algumas decisões, enquanto Gilmar, decano do Tribunal, frequentemente atua como contraponto. A expressão 'imperador' teria sido usada por Gilmar para criticar o que ele vê como excesso de protagonismo de Kassio em decisões monocráticas, especialmente em processos que envolvem inelegibilidades e registros de candidaturas.

O TSE, presidido atualmente pelo ministro Alexandre de Moraes, tem sido palco de intensos embates jurídicos. No entanto, o nome de Flávio Dino — que assumiu o STF em 2024 e é relator de ações que questionam a composição e as decisões do TSE — passou a ser mencionado como peça-chave nesse xadrez. Dino, ex-ministro da Justiça e ex-governador do Maranhão, tem perfil independente e já deu sinais de que não hesitará em tomar medidas drásticas se entender que há desvios de conduta. A possibilidade de ele determinar o afastamento do presidente do TSE, embora remota, é discutida nos corredores do STF como um cenário extremo, mas não impossível.

A crise ganhou contornos mais graves após a declaração de Gilmar. Ministros que preferem não se identificar avaliam que a fala pode ter sido um recado direto a Kassio, mas também um movimento para pressionar Dino a agir. O regimento interno do STF permite que o relator de uma ação cautelar determine medidas urgentes, incluindo o afastamento de autoridades, desde que haja indícios de irregularidades. Até o momento, não há nenhum pedido formal nesse sentido, mas a tensão cresce a cada nova reunião.

**Análise**

O episódio expõe uma fragilidade institucional que vai além das disputas pessoais. O TSE é o órgão máximo da Justiça Eleitoral e sua credibilidade é fundamental para a legitimidade do processo democrático. Qualquer movimento que sugira interferência direta de ministros do STF na condução da Corte Eleitoral pode ser interpretado como uma judicialização excessiva da política. Por outro lado, a própria atuação de Kassio tem sido alvo de críticas de juristas que apontam um ativismo incomum, especialmente em decisões que beneficiam aliados do governo.

Se Dino realmente decidir afastar o presidente do TSE, o impacto seria imenso. A medida poderia paralisar julgamentos importantes, como os que tratam de prestação de contas de partidos e candidaturas, e geraria uma crise institucional sem precedentes. Além disso, abriria um precedente perigoso: o de que ministros do STF podem, por meio de ações individuais, controlar a cúpula da Justiça Eleitoral. Especialistas ouvidos por veículos de imprensa alertam que isso poderia enfraquecer a separação dos Poderes e alimentar narrativas de que o Judiciário age de forma arbitrária.

Por outro lado, a declaração de Gilmar pode ser vista como uma tentativa de conter o que ele considera um desvio de rota. O decano do STF é conhecido por suas intervenções públicas e por não hesitar em criticar colegas quando acredita que a independência judicial está ameaçada. O uso do termo 'imperador' não é casual: remete à ideia de um poder absoluto, sem contrapesos, algo que Gilmar sempre combateu. Resta saber se a provocação terá o efeito desejado ou se aprofundará ainda mais o racha na Corte.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em reportagens veiculadas por veículos da imprensa nacional, como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, além de relatos de fontes do meio jurídico que acompanham as discussões no STF e no TSE. Não foram utilizadas fontes anônimas para declarações diretas, e todos os fatos mencionados são de conhecimento público ou amplamente noticiados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.