**Lead**
A poucos meses das eleições presidenciais de 2026, o governo brasileiro intensifica os sinais de ampliação de gastos públicos, movimento que não surpreende analistas internacionais. A prática, comum em ciclos eleitorais ao redor do mundo, ganha particular relevância no Brasil devido ao histórico de expansão fiscal e aos desafios de sustentabilidade da dívida. Embora as autoridades neguem oficialmente um afrouxamento deliberado, os números preliminares das contas públicas indicam uma trajetória ascendente de despesas, especialmente em áreas como programas sociais e investimentos regionais.
**Contexto**
O governo atual, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já adotou desde o início do mandato uma postura de aumento de despesas, com a retomada de programas como o Bolsa Família, a ampliação do Minha Casa Minha Vida e reajustes salariais para servidores. Com a aproximação do pleito, essa tendência se acentua. O arcabouço fiscal aprovado em 2023, que substituiu o teto de gastos, deu mais flexibilidade ao Orçamento, permitindo que o governo eleve investimentos sem necessidade de cortes imediatos. No entanto, especialistas em contas públicas alertam que essa margem extra vem acompanhada de riscos: a dívida bruta do país, já elevada, pode voltar a subir de forma mais acelerada.
Internacionalmente, o Brasil é observado com atenção por grandes fundos de investimento e agências de classificação de risco. A disposição para ampliar gastos em ano eleitoral não é exclusividade brasileira — países como Argentina, México e Índia frequentemente registram picos fiscais nesses períodos. O que difere o Brasil é o contexto de juros internos ainda altos e uma inflação que, embora controlada, segue pressionada por expectativas. O Banco Central independente, liderado por Gabriel Galípolo, tem mantido a taxa Selic em patamar restritivo, o que contrasta com a expansão fiscal promovida pelo Executivo.
**Análise**
A decisão de ampliar gastos perto das eleições não é novidade no atual governo. Desde 2023, o Planalto já havia demonstrado preferência por uma política fiscal mais ativa, priorizando estímulos econômicos em detrimento de superávits primários. O que muda agora é a intensidade. Nos últimos meses, foram anunciados novos repasses para estados e municípios, ampliação de subsídios para combustíveis e liberação de emendas parlamentares em ritmo superior ao dos primeiros anos de mandato. Essas medidas, se por um lado aquecem a economia e podem gerar popularidade, por outro elevam a pressão sobre o câmbio e sobre o prêmio de risco-país.
Para investidores estrangeiros, o cenário é de cautela. A ampliação do gasto público em um ambiente de incertezas fiscais tende a elevar os prêmios de risco, encarecendo o financiamento da dívida e pressionando o real. Agências como Fitch e Moody's, que já revisaram a nota do Brasil para baixo nos últimos anos, monitoram de perto os desdobramentos. Se a expansão fiscal não for acompanhada de medidas críveis de controle de despesas no médio prazo, o país pode perder o grau de investimento novamente. Por outro lado, a manutenção de programas sociais robustos é vista como um pilar de estabilidade política, especialmente diante das tensões sociais que marcaram o fim do governo anterior.
**Fontes**
As informações deste artigo baseiam-se em dados do Tesouro Nacional, relatórios do Banco Central do Brasil, comunicados das agências de classificação de risco (Fitch, Moody’s, S&P), artigos da imprensa especializada (Valor Econômico, Reuters, Bloomberg) e análises do Fundo Monetário Internacional sobre a política fiscal brasileira publicadas em 2025 e 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-15