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Política

Gaeco deflagra operação em Cuiabá e Várzea Grande e mira vereadores por suspeita de compra de votos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado cumpre mandados de busca e apreensão contra vereadores suspeitos de comprar votos nas eleições municipais de 2024. A ação ocorre simultaneamente em Cuiabá e Várzea Grande.

**Lead**

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público Estadual, deflagrou na manhã desta terça-feira uma operação em Cuiabá e Várzea Grande (VG) contra vereadores suspeitos de compra de votos durante as eleições municipais. A ação, que cumpre mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral, mira parlamentares que, segundo as investigações, teriam oferecido dinheiro, benefícios ou vantagens a eleitores em troca de votos para candidatos a prefeito e a vereador no pleito de outubro.

**Contexto**

As investigações tiveram início há meses, a partir de denúncias anônimas e de relatórios de órgãos de fiscalização eleitoral, como a Corregedoria Regional Eleitoral. O Gaeco, que atua no combate a crimes complexos e organizados, assumiu o caso ao identificar indícios de que a compra de votos não se limitava a ações isoladas, mas envolvia uma rede articulada com a participação de agentes públicos. A operação desta terça-feira é a primeira grande ação do Gaeco na região metropolitana de Cuiabá com foco específico em vereadores.

Durante o cumprimento dos mandados, os promotores e agentes recolheram documentos, celulares, computadores e outros materiais que possam comprovar a prática de corrupção eleitoral. As autoridades não divulgaram os nomes dos investigados, mas confirmaram que a operação abrangeu endereços residenciais e gabinetes de vereadores em ambas as cidades. A Justiça Eleitoral determinou sigilo sobre os autos, o que impede a divulgação de detalhes específicos.

A suspeita de compra de votos envolve, segundo fontes do Ministério Público, a oferta de cestas básicas, pagamento de contas, promessas de empregos e até a doação de materiais de construção a eleitores de baixa renda. Essas práticas configuram crime eleitoral previsto no Código Eleitoral e podem levar à cassação do mandato, inelegibilidade e até prisão. O Gaeco também apura possível conexão entre a compra de votos e o financiamento ilegal de campanhas.

**Análise**

A ação do Gaeco representa um duro golpe contra a corrupção eleitoral em Mato Grosso, estado que já teve episódios de compra de votos em eleições passadas. A operação ocorre em um momento de crescente vigilância por parte do Ministério Público Eleitoral, que tem intensificado as investigações para coibir práticas ilícitas que distorcem a vontade popular. A escolha de uma força-tarefa especializada como o Gaeco indica a gravidade das suspeitas e a complexidade do esquema investigado.

O impacto político é significativo. A operação pode gerar uma crise de confiança nas câmaras municipais de Cuiabá e Várzea Grande, onde a população já convive com denúncias de corrupção. Se confirmadas as acusações, os vereadores envolvidos podem perder seus mandatos e ficar inelegíveis por até oito anos. Além disso, a operação pode abrir caminho para novas investigações contra outros agentes públicos, incluindo candidatos a prefeito que também teriam se beneficiado do esquema de compra de votos.

A compra de votos não é um crime novo no Brasil, mas sua ocorrência em cidades de grande porte como Cuiabá e Várzea Grande mostra que a prática ainda persiste, apesar dos avanços legislativos e do aumento da fiscalização. A operação do Gaeco envia uma mensagem clara de que a Justiça Eleitoral está atenta e disposta a punir aqueles que tentam subverter o processo democrático. Resta agora aguardar os desdobramentos judiciais e ver se as provas coletadas serão suficientes para responsabilizar os suspeitos.

**Fontes**

As informações foram obtidas junto ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio de nota oficial e entrevista coletiva concedida por representantes do Gaeco, e complementadas com relatos de servidores da Justiça Eleitoral que acompanham os processos. A reportagem também consultou registros públicos de operações anteriores do Gaeco e legislação eleitoral para contextualizar o caso.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.