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Gaeco utiliza tecnologia de ponta em operação contra compra de votos em Cuiabá e Várzea Grande

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

Operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Cuiabá e Várzea Grande mira vereadores suspeitos de compra de votos; uso de interceptações telefônicas, análise de dados digitais e rastreamento financeiro é destaque.

**Lead**

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) deflagrou na manhã desta terça-feira uma operação em Cuiabá e Várzea Grande (VG) com o objetivo de desarticular um esquema de compra de votos que teria envolvido vereadores das duas cidades nas eleições municipais. A ação, que contou com o suporte de técnicas avançadas de investigação digital, incluiu mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais, além da quebra de sigilo telemático de suspeitos. As autoridades utilizam softwares de análise de grandes volumes de dados para cruzar informações de comunicações, transações financeiras e registros eleitorais.

**Contexto**

A operação é resultado de uma investigação que se arrasta há meses, centrada na suspeita de que candidatos a vereador teriam distribuído dinheiro, cestas básicas e promessas de empregos em troca de votos durante a campanha de 2024. O Gaeco, braço do Ministério Público Estadual especializado em crime organizado, tem se valido cada vez mais de ferramentas tecnológicas para mapear redes de corrupção eleitoral. Entre os recursos empregados estão sistemas de geolocalização de celulares, interceptações telefônicas autorizadas judicialmente e a extração de dados de aplicativos de mensagens instantâneas, como WhatsApp e Telegram.

A escolha de Cuiabá e Várzea Grande não é aleatória. As duas cidades formam a maior região metropolitana de Mato Grosso e concentram histórico de denúncias de abuso de poder econômico em pleitos anteriores. Em 2022, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) já havia cassado o mandato de um vereador de Várzea Grande por compra de votos, em um caso que também dependeu de provas digitais. Agora, o Gaeco amplia o escopo, mirando um grupo de parlamentares que, segundo apurações preliminares, teriam atuado de forma coordenada.

Os mandados foram cumpridos com o apoio de equipes especializadas em perícia digital, que utilizaram equipamentos de forense computacional para clonar discos rígidos e recuperar mensagens apagadas. A operação também envolveu a análise de registros de câmeras de segurança públicas e privadas, além do rastreamento de veículos por meio de sistemas de reconhecimento de placas (OCR). Essas tecnologias permitem que os investigadores reconstruam a movimentação dos suspeitos nos dias que antecederam a eleição.

**Análise**

A utilização de tecnologia de ponta em investigações eleitorais representa uma mudança significativa no combate à corrupção no Brasil. Tradicionalmente, a compra de votos era um crime de difícil comprovação, pois dependia de testemunhas ou de flagrantes presenciais. Hoje, com a digitalização da vida cotidiana, cada transação financeira, cada mensagem trocada e cada deslocamento deixam rastros digitais que podem ser cruzados por algoritmos de inteligência artificial. O Gaeco, ao incorporar essas ferramentas, aumenta a eficiência das apurações e reduz a impunidade.

No entanto, o uso intensivo de tecnologia também levanta questões sobre privacidade e devido processo legal. As quebras de sigilo telemático precisam ser rigorosamente autorizadas pelo Judiciário, e os dados obtidos devem ser tratados com critérios de proporcionalidade. Especialistas em direito digital apontam que, embora a tecnologia seja uma aliada, é fundamental que as provas sejam obtidas dentro dos limites legais para não serem anuladas posteriormente. A operação de hoje, ao que tudo indica, seguiu todos os protocolos, com mandados específicos e fundamentados.

Outro ponto relevante é o impacto político da operação. Vereadores são agentes públicos com mandato popular, e a suspeita de compra de votos abala a confiança no processo democrático. A tecnologia, ao expor essas práticas, pode servir como um poderoso instrumento de accountability, mas também gera tensões entre os poderes. O Gaeco, por sua vez, reforça seu papel de fiscalizador, utilizando inovações tecnológicas que antes eram restritas a investigações de crimes financeiros de grande porte.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP-MT) e do Gaeco, além de reportagens de veículos locais como o Diário de Cuiabá e o site Olhar Direto. Dados sobre tecnologia forense e métodos de investigação digital foram baseados em publicações técnicas do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e do Instituto de Criminalística de Mato Grosso. Nenhum nome de vereador foi divulgado oficialmente até o fechamento desta edição.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.