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Fux é sorteado relator de ação sobre visitas de esposa de Moraes e Vorcaro a senadores; STF julgará limites da atuação de cônjuges de magistrados

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Ministro Luiz Fux foi sorteado relator de ação que questiona as reuniões de Rosângela Wolff, esposa de Alexandre de Moraes, e da esposa de Vorcaro com senadores da oposição. O caso coloca sob escrutínio os limites éticos da atuação política de familiares de ministros do STF.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado relator de uma ação que investiga se houve irregularidades nas visitas de Rosângela Wolff, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e da esposa do assessor Eduardo Vorcaro a senadores da oposição entre 2023 e 2024. A informação foi confirmada pelo sistema de distribuição de processos do tribunal no último dia 15.

A ação, protocolada pelo Partido Novo, sustenta que as reuniões podem ter configurado uma forma de pressão política ou de coleta de informações privilegiadas, violando o princípio da impessoalidade e os deveres de decoro previstos na Lei Orgânica da Magistratura. Segundo a petição, Rosângela teria se encontrado com pelo menos quatro senadores que investigavam supostos abusos cometidos pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, comandada à época por um aliado de Moraes.

A defesa de Alexandre de Moraes e de sua esposa negou qualquer irregularidade. Em nota, a assessoria do ministro afirmou que “as visitas eram de caráter social e pessoal, sem qualquer relação com processos ou decisões judiciais”. Já Vorcaro, que atua como assessor de Moraes, não comentou publicamente até o fechamento desta edição.

O caso ganhou repercussão após reportagens de veículos como O Antagonista e Crusoé revelarem que os encontros ocorreram em meio a investigações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre possíveis abusos de autoridade no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não se manifestou formalmente, mas fontes do Ministério Público Federal indicam que o tema deve ser tratado com cautela, para não soar como interferência em investigações sensíveis.

Para analistas jurídicos ouvidos pela reportagem, a relatoria de Fux é um sinal de que o STF pretende tratar o caso com rigor técnico. Em decisões anteriores, Fux mostrou-se defensor de limites claros à atuação de ministros fora dos autos. Em 2022, por exemplo, foi o relator da ação que estabeleceu regras para o uso de algemas em prisões temporárias, fortalecendo o princípio da presunção de inocência.

A ação também reacende o debate sobre a falta de um código de ética específico para os ministros do STF. Diferentemente de tribunais superiores de outros países — como a Suprema Corte dos EUA, onde cônjuges de juízes precisam declarar encontros com partes interessadas —, o Brasil não possui regras claras sobre o que familiares de magistrados podem ou não fazer no campo político-partidário.

Do ponto de vista liberal-conservador, o episódio expõe uma contradição: o mesmo STF que frequentemente se arvora a julgar limites de poder dos outros Poderes parece resistente a criar seus próprios limites. Enquanto o cidadão comum tem a vida fiscalizada pela Receita, ministros do STF contam com ampla imunidade de fato e de direito.

A FORTIS News apurou que entidades como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Instituto Liberal devem protocolar amicus curiae no processo, defendendo a transparência total dos encontros. Já a Associação dos Juízes Federais (Ajufe) preferiu não se manifestar, por entender que o caso é “circunscrito ao âmbito do STF”.

A expectativa é que Fux, após analisar os autos, decida se converte o processo em ação de controle concentrado de constitucionalidade ou se encaminha para a primeira instância. A decisão pode sair até o final de outubro, antes do recesso judiciário.

**1. O que diz a lei sobre a atuação de cônjuges de ministros do STF?** A Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979) proíbe que juízes exerçam atividade político-partidária, mas é omissa em relação a cônjuges. O STF já decidiu, em 2019, que familiares de magistrados podem se filiar a partidos, desde que não atuem em processos de interesse do tribunal. O caso atual testa o limite dessa interpretação.

**2. Qual o prazo para Fux julgar a ação?** Não há prazo fixo. Em geral, ações de relatoria de ministros do STF podem levar de seis meses a dois anos, dependendo da complexidade. Contudo, o fato de envolver um colega de tribunal pode acelerar ou retardar o processo, a depender da pressão política e da repercussão pública.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.