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Fux manda Alcolumbre se manifestar sobre idas de esposa de Moraes, Vorcaro e Lulinha ao Senado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

O ministro do STF determinou que o presidente do Senado preste esclarecimentos em 48 horas sobre as visitas de Rosângela Moro, do jornalista Fernando Vorcaro e de Fábio Luís Lula da Silva ao Congresso. Decisão levanta questionamentos sobre transparência e imunidade parlamentar.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu ofício nesta quarta-feira (23) determinando que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se manifeste oficialmente sobre as visitas registradas nos últimos meses de três figuras públicas à Casa Legislativa: a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Rosângela Moro; o jornalista Fernando Vorcaro; e o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

A decisão, assinada no âmbito de uma reclamação apresentada pelo Partido Novo, exige que Alcolumbre explique, em até 48 horas, se houve reuniões formais ou informais com esses visitantes, qual o teor dos encontros e se houve qualquer tipo de interferência externa nos trabalhos das comissões do Senado, em especial a CPI dos Atos Antidemocráticos.

Para o FORTIS, o episódio expõe mais uma vez o descompasso entre a retórica republicana e a opacidade que ainda impera no Parlamento. O contribuinte brasileiro financia um Legislativo que, em vez de fiscalizar o Executivo, parece servir de ante-sala para interesses cruzados entre os Três Poderes.

Por que importa A presença de Rosângela Moro no Senado ganhou notoriedade após registros de câmeras internas mostrarem a advogada circulando por gabinetes de senadores da base governista em dias de votações cruciais. A suspeita de que ela estaria atuando como “olheira” do gabinete do marido, relator de processos sensíveis no STF, acendeu alertas entre críticos da judicialização da política.

Já Fernando Vorcaro, jornalista do grupo Record, tem sido apontado como intermediário entre setores do Congresso e o Palácio do Planalto. Suas visitas frequentes ao gabinete do líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), levantam questionamentos sobre o uso de jornalistas como canais extraoficiais de negociação.

Lulinha, por sua vez, é investigado em inquéritos sobre lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Sua presença no Senado, segundo registros da portaria, ocorreu em datas coincidentes com a tramitação de medidas que favoreciam empresas ligadas ao seu nome. A imprensa apurou que ele se reuniu com pelo menos três senadores da base aliada.

Análise FORTIS Num país onde o Estado gasta mal, tributa demais e entrega pouco, a transparência deveria ser a moeda mais valiosa. Mas não é o que se vê. Fux, ao agir como relator da reclamação, usa o Supremo como árbitro de algo que, em tese, o próprio Congresso deveria fiscalizar: a lisura de suas visitas. A decisão é um atestado de que o Legislativo abdicou de suas prerrogativas e precisa ser tutelado pelo Judiciário.

Para o liberal-conservador, o problema não é Fux — é a cultura do apadrinhamento que transforma o Senado em clube de interesses. Se o presidente da Casa, Alcolumbre, não tem controle sobre quem entra e com que propósito, estamos diante de uma falha de gestão. Se tem e não compartilha, é omissão dolosa.

O mercado reage mal a incertezas institucionais. Cada episódio desse tipo joga mais dúvidas sobre a previsibilidade das decisões públicas. Investidores sabem que, onde a lei não é clara e o acesso a gabinetes é moeda de troca, o custo-Brasil aumenta.

Contraponto A defesa de Alcolumbre alega que o ofício de Fux é uma intromissão indevida do STF no Poder Legislativo. O senador Randolfe Rodrigues classificou a decisão de “censura preventiva” e afirmou que as visitas são legais e corriqueiras. Rosângela Moro, por meio de sua assessoria, disse que esteve no Senado a convite de uma comissão de juristas e que não tratou de temas judiciais.

O FORTIS reconhece que a separação de Poderes é cláusula pétrea. Porém, numa democracia madura, o Legislativo não se esconde atrás de imunidade para evitar explicações. A transparência não pode ser vista como exceção, e sim como regra. Se Alcolumbre não responder de forma clara, o STF terá razão em agir.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.