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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux teria determinado um cerco a medidas do colega Alexandre de Moraes no âmbito das investigações sobre a suposta trama golpista, após se irritar com uma reunião reservada entre Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal (PF). O episódio, ocorrido nos últimos dias, acirrou os ânimos na Corte e levanta questionamentos sobre os limites da atuação do Judiciário em investigações de alta sensibilidade política.
**Contexto**
As investigações sobre a chamada trama golpista — que apura supostas articulações para desestabilizar o regime democrático após as eleições de 2022 — estão sob relatoria de Alexandre de Moraes no STF. O ministro é responsável por autorizar buscas, prisões e quebras de sigilo, além de conduzir interrogatórios. A Polícia Federal, sob a direção de um delegado indicado pelo governo, tem atuado como braço operacional das apurações.
Nos bastidores do STF, a relação entre os ministros sempre foi marcada por um equilíbrio delicado. Luiz Fux, que presidiu a Corte entre 2020 e 2022, mantém influência sobre o colegiado e é conhecido por defender a autonomia dos poderes e o devido processo legal. Fontes próximas ao gabinete de Fux relataram que ele teria se sentido “desrespeitado” ao saber que Moraes convocou o chefe da PF para uma reunião a portas fechadas sem comunicar previamente os demais ministros. O encontro teria ocorrido na sede da PF, em Brasília, e nela teriam sido discutidos os próximos passos da investigação, incluindo a possibilidade de novas diligências contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A irritação de Fux, segundo relatos de bastidores, não se deve apenas ao protocolo. O ministro entende que a condução do inquérito precisa ser transparente e colegiada, especialmente quando envolve medidas que podem afetar a liberdade de investigados e o equilíbrio entre os Poderes. Nos últimos meses, Fux já havia manifestado reservas quanto à celeridade com que Moraes autorizava operações, mas a reunião reservada com o diretor da PF teria sido a gota d’água.
**Análise**
O movimento de Fux representa um raro contraponto dentro do STF a Moraes, que até agora gozava de amplo respaldo da maioria da Corte para tocar as investigações. Ao fechar o cerco, Fux sinaliza que a atuação do relator não pode ser ilimitada e que o colegiado deve ter voz nas decisões estratégicas. Isso pode resultar em uma revisão de procedimentos, como a exigência de que medidas mais drásticas — prisões preventivas, por exemplo — passem pelo plenário virtual antes de serem executadas.
Para a segurança jurídica do país, o episódio é relevante. A trama golpista é um dos casos mais sensíveis desde a redemocratização, e qualquer percepção de parcialidade ou excesso pode comprometer a credibilidade das investigações. Por outro lado, a reação de Fux também pode ser interpretada como uma tentativa de reafirmar a autoridade do STF como um todo, evitando que um único ministro concentre poder de forma desproporcional.
O impacto imediato é a incerteza sobre o ritmo das apurações. Fontes da PF indicam que algumas operações programadas podem ser adiadas até que haja um alinhamento entre os ministros. A defesa dos investigados, por sua vez, já começa a explorar a divisão na Corte para questionar a validade de provas obtidas sob a relatoria de Moraes.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de relatos de bastidores do STF, corroborados por fontes da Polícia Federal que preferiram não se identificar. Reportagens de veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão também abordaram as tensões entre os ministros nos últimos dias. Não há, até o momento, manifestação oficial de Luiz Fux ou Alexandre de Moraes sobre o episódio.
Por Renan Filho · 2026-10-09