**Lead**
No interior paulista, uma propriedade rural dedicada à fruticultura em Mogi das Cruzes tornou-se exemplo de como a paciência e a permissão para errar podem moldar atletas de alto rendimento. A terceira geração da família, criada sob o lema de que o erro não é fracasso, mas parte do processo, está sendo preparada para representar o Brasil em competições nacionais e internacionais. O caso chama a atenção de especialistas em desenvolvimento esportivo, que enxergam na abordagem familiar um contraponto à pressão precoce que muitas vezes afasta jovens do esporte.
**Contexto**
A fruticultura em Mogi das Cruzes é uma atividade tradicional, com famílias que há décadas cultivam laranjas, mangas e outras frutas típicas da região. A propriedade em questão, cujo nome não é divulgado publicamente, vem sendo administrada por três gerações. O avô iniciou o cultivo, o pai expandiu os negócios e agora o neto, ainda adolescente, começa a despontar em modalidades esportivas de resistência e coordenação, como o atletismo e o ciclismo de estrada.
O diferencial, segundo relatos de profissionais que acompanham a família, é a forma como os pais e avós lidam com o desempenho esportivo do jovem. Em vez de cobrar resultados imediatos, eles incentivam a experimentação e aceitam os erros como naturais. A frase "Meu pai me permitiu errar" tornou-se uma espécie de mantra familiar, refletindo uma cultura de aprendizado contínuo que contrasta com a rigidez de muitos programas de formação de atletas.
A terceira geração cresceu ajudando na colheita e nos cuidados com as frutas, atividades que exigem disciplina, paciência e conhecimento prático. Essa vivência rural, aliada à liberdade de tentar e falhar, parece ter desenvolvido no jovem uma resiliência incomum. Treinadores locais observam que ele não se abate com derrotas e aprende rapidamente com os próprios erros, característica cada vez mais valorizada no esporte de alto nível.
**Análise**
A abordagem adotada pela família de Mogi das Cruzes vai ao encontro de estudos da psicologia do esporte que apontam os benefícios de um ambiente onde o erro é visto como etapa do desenvolvimento. Atletas que crescem sob pressão excessiva para vencer desde cedo tendem a desenvolver ansiedade e medo de arriscar, o que limita seu potencial a longo prazo. Em contrapartida, a permissão para errar estimula a criatividade tática, a coragem em competições e a capacidade de superar adversidades.
Para o esporte brasileiro, casos como este são particularmente relevantes em um momento em que se discute a necessidade de reformular as bases da formação esportiva. Muitos clubes e federações ainda priorizam resultados imediatos em detrimento do desenvolvimento integral do atleta. A experiência da fruticultura mogiana sugere que valores como paciência, trabalho manual e conexão com a natureza podem ser transferidos para o treinamento esportivo de forma eficaz.
Além disso, a trajetória da família mostra que o esporte não precisa estar desvinculado da vida rural. Em um país com forte tradição agrícola, iniciativas que integram o campo e o esporte podem revelar talentos que, de outra forma, passariam despercebidos. A terceira geração dessa família já conquistou resultados expressivos em competições regionais de ciclismo e corrida de rua, e a expectativa é que, com o apoio familiar e o ambiente de aprendizado, ele alcance o nível necessário para vestir a camisa da seleção brasileira.
**Fontes**
- Relatos de treinadores e psicólogos esportivos da região de Mogi das Cruzes, que acompanham o desenvolvimento de jovens atletas locais. - Estudos publicados pela Associação Brasileira de Psicologia do Esporte sobre a influência do ambiente familiar no rendimento esportivo. - Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção de frutas em Mogi das Cruzes e sua importância econômica. - Entrevistas com membros da comunidade esportiva mogiana, que preferiram não ser identificados para preservar a privacidade da família.
Por Renan Filho · 2026-10-24