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Márcio França sugere voto nulo ou 'em um homem' para Senado; Marina Silva e Tebet rebatem

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Durante ato político em São Paulo, ex-ministro defendeu estratégia eleitoral controversa para a disputa ao Senado em 2026, gerando reação imediata de correligionárias.

**Lead**

O ex-ministro e pré-candidato ao governo de São Paulo, Márcio França, gerou polêmica na noite desta quinta-feira ao sugerir, durante um ato político na capital paulista, que eleitores poderiam anular o voto ou votar "em um homem" para o Senado, em vez de apoiar uma candidatura feminina. A declaração, feita em tom de estratégia eleitoral, provocou resposta imediata das ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento), que classificaram a fala como um retrocesso e um equívoco político.

**Contexto**

O evento, realizado em um centro comunitário na zona leste de São Paulo, reuniu lideranças locais do partido e movimentos sociais para discutir o cenário das eleições de 2026. França, que integra a base do governo federal e articula uma candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, abordou a disputa proporcional e majoritária, incluindo a corrida ao Senado. Segundo relatos de participantes, ele argumentou que, em um cenário de fragmentação da chapa, seria mais eficaz concentrar votos em um nome masculino com maior densidade eleitoral, ou, na ausência de um nome competitivo, orientar o eleitorado a anular o voto como forma de protesto.

A fala foi registrada por apoiadores e rapidamente repercutiu nas redes sociais, especialmente entre militantes feministas e setores progressistas. Marina Silva, que tem defendido a ampliação da representatividade feminina na política, usou suas redes sociais para repudiar a sugestão. Em publicação, a ministra destacou que "voto nulo é desistência de cidadania" e que "reduzir a escolha eleitoral a uma questão de gênero é ignorar a complexidade da representação política". Simone Tebet, que disputou a Presidência em 2022 e é uma das vozes femininas mais destacadas do centrão reformista, também se manifestou, afirmando que "o Brasil não pode retroceder a um tempo em que mulheres eram coadjuvantes na política" e cobrou uma retratação pública.

**Análise**

A declaração de França precisa ser lida dentro de um contexto de disputa interna por espaço no palanque paulista. Com a provável candidatura do ex-governador Rodrigo Garcia ao Senado e a articulação de nomes como o deputado Guilherme Boulos para o governo, o campo progressista busca consolidar uma chapa competitiva sem canibalizar votos. A sugestão de anular o voto ou priorizar um candidato masculino, no entanto, expõe uma tensão estrutural entre pragmatismo eleitoral e princípios de representatividade.

Especialistas em ciência política apontam que a estratégia de votos nulos ou concentrados em um nome específico é frequentemente usada em cenários de alta fragmentação, mas raramente é explicitada em eventos públicos. A reação rápida de Marina e Tebet, no entanto, indica que o tema da representatividade feminina se tornou um ponto sensível no debate eleitoral — e que qualquer manifestação vista como desvalorização das candidaturas femininas tenderá a gerar custos políticos imediatos.

Para França, o episódio pode representar um obstáculo em sua tentativa de se posicionar como um nome de consenso capaz de unir diferentes correntes do partido e da federação. A resposta firme de duas ministras de peso pode obrigá-lo a um exercício de recuo ou reenquadramento de sua fala, sem que isso, necessariamente, signifique uma mudança em sua estratégia real de costura eleitoral.

O episódio também reacende o debate sobre a sub-representação feminina nas casas legislativas. Nas últimas duas eleições gerais, o número de mulheres eleitas para o Senado se manteve estagnado em torno de 15% dos assentos, apesar de as mulheres representarem mais da metade do eleitorado. A declaração de França, ainda que pontual, reforça a percepção de que o tema ainda é tratado por muitos atores políticos como secundário.

**Fontes**

A informação foi obtida a partir de relatos de participantes do evento, apuração em registros públicos de redes sociais das ministras Marina Silva e Simone Tebet, e análise de especialistas em ciência política ouvidos pelo FORTIS NEWS durante a cobertura do episódio. As declarações atribuídas a França foram confirmadas por duas fontes independentes presentes no ato, que preferiram não se identificar por receio de retaliação política interna.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.