A Folha de S.Paulo anunciou nesta quarta-feira (23) o lançamento do ‘Match Eleitoral’ para as eleições de 2026 no estado de São Paulo. A ferramenta online, que ficará disponível no site do jornal a partir da próxima semana, promete conectar o eleitor a candidatos a deputado federal, estadual e senador com base em respostas a um questionário de 30 perguntas sobre temas como economia, segurança pública, meio ambiente e costumes.
Segundo a nota oficial publicada pelo Grupo Folha, o sistema utiliza um algoritmo de correspondência que compara as respostas do usuário com o posicionamento público dos candidatos, coletado a partir de declarações oficiais, propostas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e votações em plenário. A ideia, de acordo com a empresa, é ‘facilitar a escolha em meio a centenas de nomes e combater o voto aleatório ou de protesto’.
O Match Eleitoral não é uma novidade. A Folha já aplicou a mesma lógica para a prefeitura de São Paulo em 2024. Agora, a versão para os legislativos e o Senado ganha relevância justamente pelo volume de opções: em 2022, o estado de São Paulo registrou mais de 1.200 candidatos a deputado federal, e a taxa de abstenção chegou a 20% no primeiro turno. Qualquer ferramenta que ajude o eleitor a navegar nesse oceano de nomes merece ser testada.
**Por que importa**
O grande problema, sob a ótica liberal-conservadora, não é a existência da plataforma, mas a falta de transparência sobre o que está por trás do algoritmo. Em publicação nas redes sociais, o deputado estadual paulista Alex de Madureira (PL-SP) afirmou que ‘a ferramenta da Folha tem um viés ideológico claro, mascarado de neutralidade científica’. O parlamentar citou o histórico do jornal em pautas ambientais e sociais como evidência de que o questionário pode pesar respostas de esquerda como ‘corretas’ e as de direita como ‘radicais’.
A crítica não é isolada. Em 2024, o Match Eleitoral para a prefeitura de São Paulo foi acusado por internautas de classificar candidatos com posições fiscais conservadoras como ‘pouco alinhados’ com temas considerados progressistas pelo jornal. A Folha, à época, respondeu em nota que o algoritmo usa ‘dados objetivos’ e que não há interferência editorial na pontuação. No entanto, a metodologia completa de ponderação das respostas nunca foi divulgada de forma auditável.
**Análise FORTIS**
O Eleitor paulista precisa de informação, não de curadoria. O Match Eleitoral pode ser útil se vier com disclaimer claro: ele não substitui a pesquisa individual do candidato, nem deve ser tratado como verdade absoluta. O Estado brasileiro gasta mal e tributa demais, e parte do problema está justamente na eleição de parlamentares que não representam a vontade do eleitor médio, mas sim os interesses das máquinas partidárias e das corporações.
A ferramenta da Folha, no entanto, corre o risco de reproduzir um velho vício da imprensa nacional: tratar o liberalismo econômico e o conservadorismo social como posições ‘radicais’, enquanto coloca o estatismo e o progressismo como ‘centro’ ou ‘moderado’. Isso não é apenas injusto com o eleitor – é um desserviço à democracia, que pressupõe pluralidade real de ideias.
O eleitor liberal-conservador deve usar o Match Eleitoral como um ponto de partida, não como destino final. Antes de votar, é essencial consultar o histórico de votações do candidato no site da Câmara ou da Alesp, verificar suas declarações em entrevistas e, principalmente, ver se ele defende os princípios de livre mercado, estado mínimo e soberania nacional. Nenhum algoritmo de um jornal pode fazer isso por você.
**Contraponto**
Vale registrar o que diz a Folha em sua defesa. Em declaração à imprensa, o editor de dados do jornal, Fábio Takahashi, afirmou que ‘todo o código do algoritmo está disponível no Github e que qualquer desenvolvedor pode verificar a lógica’. ‘Nós não escondemos nada. As perguntas são baseadas em temas do debate público e as respostas dos candidatos são extraídas de fontes oficiais’, disse.
Se a boa-fé da equipe técnica é inquestionável, a aplicação prática ainda deixa dúvidas. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), divulgado em julho de 2025, mostrou que plataformas de match político tendem a superestimar a concordância com pautas identitárias e subestimar pautas econômicas quando o questionário não é balanceado. Ou seja, o eleitor que prioriza reforma tributária e corte de gastos pode acabar recebendo sugestões enviesadas.
A FORTIS NEWS acredita que a concorrência de ideias é o melhor filtro. Se o Match Eleitoral for transparente, auditável e baseado em dados reais, será bem-vindo. Se funcionar como mais um filtro ideológico da grande imprensa, será mais um motivo para o eleitor desconfiar.
**1. O Match Eleitoral da Folha pode substituir a minha pesquisa sobre os candidatos?** Não. A ferramenta é um facilitador, mas não substitui a análise do histórico, das propostas e da conduta ética do candidato. O algoritmo pode conter vieses não declarados na seleção e ponderação das questões. Sempre confira as fontes oficiais, como o site do TSE e o radar de votações da Câmara dos Deputados.
Por Renan Filho · 2026-09-23