A Folha de S.Paulo, um dos periódicos mais influentes do país, anunciou nesta quarta-feira (23) o lançamento do 'Match Eleitoral' para o estado de São Paulo. A ferramenta, que já havia sido testada em eleições anteriores para a Presidência e governos estaduais, agora será adaptada para auxiliar o eleitor paulista na escolha de deputados federais, estaduais e senadores.
Segundo comunicado do próprio jornal, o sistema funciona como um 'questionário de posições políticas': o usuário responde a dezenas de perguntas sobre temas como economia, segurança pública, meio ambiente e costumes. Em seguida, um algoritmo compara as respostas com o perfil dos candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que aceitaram participar da plataforma.
A promessa é de 'transparência' e 'neutralidade'. No entanto, qualquer pessoa familiarizada com a construção de algoritmos sabe que não existe neutralidade em quem define as perguntas, o peso de cada tema e quais candidatos são listados. A Folha, como qualquer veículo, tem linha editorial. A pergunta que fica é: a curadoria das questões reflete o espectro real do debate público ou privilegia pautas caras à esquerda progressista?
**Contexto da ferramenta**
O 'Match Eleitoral' foi lançado pela primeira vez em 2022, em parceria com a Universidade de Zurique e o grupo 'Votações Abertas'. Na ocasião, a ferramenta focou apenas na corrida presidencial. Agora, em 2026, a expansão para o legislativo é um movimento lógico: o eleitor brasileiro historicamente vota em deputados e senadores com pouca informação sobre o histórico parlamentar ou posições específicas.
Em São Paulo, o cenário é especialmente complexo. São 70 vagas na Câmara dos Deputados e três cadeiras no Senado. Com mais de 1.500 candidatos registrados (dados parciais do TSE de agosto de 2026), qualquer ferramenta que ajude a filtrar opções é, em tese, bem-vinda.
**Por que isso importa para o eleitor liberal-conservador**
O principal risco de plataformas como essa é o viés de seleção. Se a Folha optar por perguntas que enfatizam, por exemplo, 'direitos reprodutivos' ou 'cotas raciais' em detrimento de 'reforma tributária' ou 'liberdade econômica', o resultado tenderá a favorecer candidatos de determinados espectros.
Além disso, há a questão da adesão dos candidatos. Parlamentares de partidos como PL, Novo e Republicanos podem simplesmente optar por não responder ao questionário, seja por desconfiança da curadoria, seja por falta de tempo. Nesse caso, o 'Match' geraria um falso negativo: o eleitor que apoia pautas conservadoras poderia não ver seu candidato ideal na lista, enquanto candidatos de esquerda, mais alinhados à pauta identitária, apareceriam como 'compatíveis'.
**Análise FORTIS: o que os dados mostram**
Em 2022, o 'Match Eleitoral' da Folha para presidente foi alvo de críticas de eleitores de Jair Bolsonaro (PL) e de Ciro Gomes (PDT). Ambos os grupos apontaram que as perguntas tinham peso excessivo em temas como 'democracia versus autoritarismo', enquanto ignoravam questões centrais como gasto público e tributação.
Um levantamento do site 'Viés do Algoritmo' (2023) mostrou que, naquela edição, 40% das questões eram sobre costumes e direitos humanos, 35% sobre políticas sociais e apenas 15% sobre economia. Para um eleitor que prioriza a redução da carga tributária e o corte de gastos, a precisão do 'match' era baixa.
A Folha, em nota à imprensa na época, defendeu que as perguntas foram 'validadas por cientistas políticos de diferentes universidades'. Mas a validação acadêmica, por si só, não garante isenção — especialmente quando a academia brasileira é majoritariamente inclinada à esquerda, conforme demonstrou o estudo do 'Ranking de Viés Ideológico das Universidades Brasileiras' (Instituto Liberal, 2025).
**Contraponto: a ferramenta pode ser útil se bem calibrada**
Dito isso, o FORTIS NEWS reconhece que, se a Folha conseguir equilibrar o questionário — com peso igual para temas econômicos, de segurança e de costumes —, o 'Match' pode efetivamente ajudar o eleitor. O problema não é a tecnologia, mas a governança dela.
Candidatos liberais e conservadores deveriam, portanto, participar da plataforma para evitar que o vácuo seja preenchido apenas por vozes da esquerda. A transparência sobre o código-fonte do algoritmo e a divulgação dos pesos de cada pergunta também são passos necessários — e que a Folha, até o momento, não confirmou que adotará.
O FORTIS NEWS recomenda que o eleitor paulista use a ferramenta como um ponto de partida, mas jamais como única fonte de informação. Consulte o histórico de votações no site da Câmara, analise as propostas registradas no TSE e, acima de tudo, desconfie de qualquer algoritmo que prometa 'achar' o candidato perfeito.
**1. O 'Match Eleitoral' da Folha é pago ou gratuito?** Segundo o jornal, a ferramenta é gratuita e acessível pelo site da Folha de S.Paulo. Não há cobrança para o eleitor, e os candidatos também não precisam pagar para participar. O custo operacional é bancado pela própria empresa e por parcerias acadêmicas.
**2. Como saber se meu candidato preferido está na base de dados?** A Folha informou que convidará todos os candidatos registrados no TSE de São Paulo. No entanto, a participação é voluntária. O eleitor pode verificar, no próprio site da ferramenta, quais candidatos responderam ao questionário. Se o seu candidato não aparecer, a recomendação é contatá-lo diretamente pelas redes sociais e cobrar que ele participe.
Por Renan Filho · 2026-09-23