**Lead** A Folha de S.Paulo, um dos maiores jornais do Brasil, anunciou a contratação de editores de vídeo para integrar sua redação, em um movimento estratégico para expandir a produção de conteúdo audiovisual. As novas contratações visam suprir a demanda crescente por formatos em vídeo, que se tornaram centrais na estratégia de engajamento digital do veículo. A iniciativa ocorre em um momento em que o consumo de notícias em vídeo cresce de forma acelerada no país, impulsionado pelo avanço das plataformas sociais e pela mudança nos hábitos do público.
**Contexto** A decisão da Folha reflete uma transformação mais ampla no jornalismo impresso, que há anos busca se adaptar ao ambiente digital. Nos últimos anos, diversos jornais brasileiros e internacionais investiram em equipes de vídeo para produzir desde reportagens curtas para redes sociais até documentários e análises aprofundadas. A Folha, que já possuía um departamento multimídia, agora fortalece esse setor com a chegada de profissionais especializados em edição, pós-produção e narrativa visual.
O mercado de trabalho para editores de vídeo no Brasil tem se aquecido, especialmente no setor de mídia e comunicação. Com a popularização de plataformas como YouTube, Instagram e TikTok, os veículos de imprensa passaram a competir diretamente com criadores de conteúdo e influenciadores, exigindo uma produção mais ágil e de alta qualidade. A Folha, ao contratar novos editores, busca não apenas aumentar o volume de vídeos, mas também elevar o padrão técnico e narrativo de suas produções.
A mudança também está alinhada com as tendências globais de consumo de notícias. Dados da indústria indicam que o vídeo é o formato que mais cresce em termos de tempo de visualização e retenção de audiência. A Folha, que mantém um dos maiores portais de notícias do país, precisa se adaptar a esse comportamento para manter sua relevância e receita publicitária, já que o modelo de negócios baseado apenas em texto vem perdendo espaço para plataformas multimídia.
**Análise** A contratação de editores de vídeo pela Folha não é um fato isolado, mas parte de uma reestruturação necessária para a sobrevivência dos veículos tradicionais. O jornalismo impresso, que já enfrenta queda nas assinaturas de papel e na receita de anúncios, vê no vídeo uma oportunidade de gerar novos produtos e fontes de renda. Além disso, o conteúdo audiovisual permite maior interação com o público, especialmente entre os mais jovens, que consomem notícias majoritariamente por meio de vídeos curtos nas redes sociais.
Especialistas em mídia apontam que a aposta em vídeo pode ser um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais fragmentado. A Folha, com sua tradição jornalística e credibilidade, tem potencial para se destacar em meio ao ruído informacional, desde que consiga equilibrar a qualidade editorial com a agilidade exigida pelas plataformas digitais. A entrada de novos editores também pode trazer inovação em linguagem e formato, aproximando o jornal de uma estética mais contemporânea e dinâmica.
Por outro lado, a transição para o vídeo impõe desafios. Adaptar a cultura da redação, treinar repórteres para aparecerem em câmera e manter a precisão factual em um formato visual são obstáculos reais. A Folha, no entanto, já demonstrou capacidade de se reinventar em outras ocasiões, como na migração para o paywall digital e na criação de podcasts. A aposta em vídeo é mais um capítulo dessa evolução, que deve influenciar outras redações no Brasil a seguir caminho semelhante.
**Fontes** As informações foram baseadas em comunicados oficiais da Folha de S.Paulo sobre suas contratações, em análises de tendências do mercado de mídia brasileiro e internacional, e em observações de especialistas do setor de comunicação e tecnologia, que preferiram não se identificar. Não foram utilizados dados numéricos específicos ou nomes de indivíduos além da menção ao veículo contratante.
Por Renan Filho · 2026-10-07