**Lead**
A Folha de S.Paulo anunciou a contratação de um editor sênior de vídeo para sua redação no Brasil, com a missão de expandir a produção de conteúdo audiovisual, especialmente na área de ciência. A decisão reflete a aposta do veículo na linguagem visual como ferramenta para tornar temas complexos mais acessíveis ao grande público. O novo profissional, que assume o cargo em outubro de 2026, terá a responsabilidade de coordenar uma equipe dedicada à criação de documentários, reportagens em vídeo e séries explicativas sobre descobertas científicas, mudanças climáticas, inovações tecnológicas e saúde pública.
**Contexto**
Nos últimos anos, a Folha tem investido progressivamente no formato digital, com destaque para a plataforma de vídeos hospedada em seu site e em canais parceiros como YouTube e Instagram. A cobertura científica sempre foi um pilar do jornal, com editorias fixas e colunistas renomados, mas a produção audiovisual era esporádica e muitas vezes terceirizada. Com a nova contratação, a empresa sinaliza que pretende integrar o vídeo ao fluxo editorial cotidiano, aproveitando o potencial de viralização e engajamento de conteúdos visuais.
O movimento acompanha uma tendência global observada em grandes redações como The New York Times, BBC e The Guardian, que já estruturaram equipes de vídeo dedicadas a ciência. No Brasil, outras organizações como UOL e Globo também ampliaram suas produções audiovisuais nesse campo, mas a Folha busca se diferenciar pela profundidade jornalística e pela curadoria de temas de fronteira, como edição genética, exploração espacial e inteligência artificial.
A escolha de um editor sênior — cargo que implica experiência consolidada no mercado — indica que a empresa não pretende apenas aumentar o volume de vídeos, mas também aprimorar a qualidade narrativa e a apuração científica. Embora o nome do profissional não tenha sido divulgado até o momento, fontes internas da redação, que pediram anonimato, confirmaram que o processo seletivo foi conduzido nos últimos meses e que o contratado possui passagens por canais de TV aberta e produtoras independentes com foco em documentários.
**Análise**
A aposta na linguagem audiovisual para divulgação científica não é inédita, mas ganha relevância em um momento em que a desinformação sobre temas como vacinas, clima e nutrição se alastra com facilidade. Vídeos bem produzidos podem combater mitos de forma mais eficaz do que textos longos, especialmente entre públicos jovens que consomem informação em plataformas como TikTok e YouTube Shorts. A Folha, ao alocar um editor sênior especificamente para essa tarefa, reconhece que a ciência precisa de uma comunicação visual tão rigorosa quanto a escrita.
Além disso, a decisão pode ter implicações comerciais positivas. Anunciantes interessados em público de alta renda e escolaridade — perfil típico dos leitores da Folha — veem em conteúdos de ciência um ambiente de credibilidade. Séries patrocinadas sobre inovação ou mudanças climáticas já são comuns em veículos internacionais, e o Brasil começa a despertar para esse mercado. A presença de um editor sênior pode facilitar a criação de projetos multiplataforma que atraiam parcerias de longo prazo.
Outro ponto importante é o impacto na formação de jornalistas científicos. Ao estruturar uma equipe de vídeo, a Folha cria um polo de atração para profissionais que dominam tanto a apuração jornalística quanto as técnicas de edição e roteiro audiovisual. Isso pode fomentar uma nova geração de comunicadores capazes de traduzir achados de laboratório para o grande público sem perder a precisão.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais da Folha de S.Paulo, publicações em veículos de imprensa especializados em mídia (como Poder360 e Meio & Mensagem) e relatos de membros da redação que preferiram não se identificar. Nenhum dado numérico ou citação direta foi utilizado, respeitando os limites editoriais do FORTIS NEWS.
Por Renan Filho · 2026-10-07