FORTIS
← FORTIS
Ciencia

Focos de incêndio no Amazonas crescem 116% em 2026 e acendem alerta na região

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

Dados preliminares de monitoramento por satélite registram aumento expressivo de queimadas no estado em relação a 2025; seca, desmatamento e uso do fogo estão entre as causas.

**Lead**

O número de focos de incêndio no Amazonas cresceu 116% em 2026, segundo levantamentos preliminares de monitoramento por satélite. O avanço das queimadas já é considerado o mais intenso da década no estado e coincide com o agravamento da estiagem na região Amazônica. Os dados, ainda não consolidados, reforçam o alerta para o período de seca, que historicamente concentra as maiores áreas queimadas entre agosto e outubro.

**Contexto**

O monitoramento feito por satélites de órgãos ambientais detectou um salto relevante no número de focos de calor no Amazonas ao longo dos primeiros dez meses de 2026. A comparação com o mesmo período de 2025 mostra um crescimento percentual expressivo, embora a base de comparação tenha ficado abaixo da média histórica, o que ajuda a explicar parte do aumento percentual. Mesmo assim, os números absolutos têm chamado a atenção por indicarem uma antecipação do pico de queimadas em várias regiões do estado, principalmente no sul do Amazonas.

Os municípios mais afetados estão localizados ao longo das rodovias BR-319 e BR-230, áreas que concentram pressão de desmatamento, expansão agropecuária e conflitos fundiários. A combinação de uso do fogo para limpeza de áreas com a vegetação seca cria condições favoráveis à propagação das chamas. A fumaça já afetou a qualidade do ar em cidades como Manaus e Porto Velho, com episódios de céu encoberto e aumento na procura por atendimento médico em unidades de saúde.

A estiagem deste ano é apontada como um dos principais fatores para a intensidade do fogo. O fenômeno é influenciado por anomalias climáticas que reduziram a precipitação em boa parte da bacia amazônica nos últimos meses. Com menos chuvas, os rios da região registraram níveis abaixo da média em vários pontos, o que favorece a propagação de queimadas em áreas de floresta, pastagens e vegetação nativa.

Além da questão climática, o desmatamento segue como um vetor estrutural. Dados preliminares de detecção de desmate mostram que a derrubada recente de floresta não foi acompanhada na mesma velocidade por ações de recuperação de áreas degradadas. Em diversas propriedades, o fogo é usado como método barato de manejo do solo, apesar da ilegalidade da prática em grande parte dos casos. As multas por uso irregular de fogo aumentaram, mas a fiscalização enfrenta dificuldades logísticas em uma região de dimensões continentais.

A dimensão da crise levou o governo federal a ampliar o número de brigadistas e aeronaves destinadas ao combate às chamas no Amazonas. Equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade foram deslocadas para regiões de maior criticidade. O Exército também atua em operações emergenciais, criando aceiros e apoiando a logística de transporte de equipes em áreas de difícil acesso.

**Análise**

O crescimento de focos de incêndio no Amazonas tem impacto direto não apenas sobre a floresta, mas também sobre o clima regional e a saúde pública. A emissão de material particulado e gases de efeito estufa provenientes das queimadas contribui para o agravamento do aquecimento global e pode alterar padrões de chuva em outras regiões do Brasil. A fumaça também afeta a qualidade do ar em centros urbanos distantes, aumentando casos de doenças respiratórias, especialmente entre crianças e idosos.

Os fatores que explicam o avanço do fogo em 2026 são complexos e não podem ser atribuídos a uma causa única. O clima mais seco, a expansão da fronteira agrícola e a ocorrência de incêndios florestais que escapam ao controle de queimadas controladas formam um cenário de risco elevado. A redução do desmatamento registrada em anos anteriores mostrou que políticas de fiscalização e incentivos econômicos podem surtir efeito, mas a pressão sobre novas áreas continua intensa.

O cenário para os próximos meses dependerá do comportamento das chuvas e da capacidade do poder público de interromper o ciclo do fogo. Especialistas destacam que o investimento em prevenção, monitoramento e restauração de áreas queimadas é mais eficiente do que ações exclusivamente reativas ao incêndio. Sem uma mudança estrutural no modelo de ocupação do solo, o padrão de queimadas na Amazônia tende a se repetir e se intensificar em anos de seca severa.

A situação no Amazonas também levanta implicações para os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. A emissão de carbono por queimadas compromete as metas de redução de gases de efeito estufa e fragiliza a imagem do país como protagonista na agenda ambiental. Para organizações internacionais e investidores, o aumento de incêndios em floresta tropical é um sinal negativo, que pode afetar acordos comerciais e financiamentos voltados à preservação ambiental.

**Fontes**

As informações são baseadas em dados preliminares de monitoramento por satélite de órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. A notícia também se apoia em comunicados oficiais dos governos estadual e federal sobre o combate aos incêndios no Amazonas, além de relatos de instituições de pesquisa e organizações ambientais que acompanham a região.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.